Cardeal Cláudio Hummes pede punição para sacerdotes que cometem abusos

O cardeal brasileiro Claudio Hummes, prefeito da Congregação para o Clero do Vaticano, defendeu nesta quarta-feira que os sacerdotes envolvidos em delitos sejam julgados e castigados, em uma carta aberta na qual se refere indiretamente a casos de abusos sexuais.

AFP |

Na carta, divulgada no site da congregação vaticana, o prelado não menciona explicitamente os abusos sexuais, apesar de há uma semana uma investigação exaustiva ter revelado que milhares de crianças irlandesas sofreram sistematicamente abusos em orfanatos, escolas e reformatórios dirigidos pela Igreja Católica.

"É verdade que alguns sacerdotes estavam envolvidos em problemas graves e em situações delituosas", escreveu o cardeal, arcebispo emérito de São Paulo.

"Obviamente é preciso continuar a investigação, porque eles devem ser julgados e castigados como se deve", reconheceu.

Hummes ressaltou que os religiosos envolvidos nesses casos representam um "percentual muito pequeno do clero" porque a "grande maioria dos sacerdotes são pessoas dignas", acrescentou.

Os "abusos sexuais" nas instituições infantis irlandesas foram "endêmicos" entre 1930 e 1990, indicou o relatório elaborado por uma comissão independente após quase 10 anos de investigações.

A maior autoridade da Igreja Católica da Irlanda, o cardeal Sean Brady, manifestou sua "profunda vergonha" pelo caso.

Há um mês, ao receber os indígenas do Canadá, o Papa também condenou os abusos cometidos contra esses povos pela Igreja Católica durante o século XX e pediu que esses comportamentos "não sejam tolerados".

Desde o final do século XIX até 1970, mais de 150.000 crianças indígenas, mestiças e esquimós foram separadas de suas famílias e enviadas para orfanatos para serem "educadas" em escolas religiosas, católicas e de outras correntes, onde muitas delas foram vítimas de maus-tratos e de abusos sexuais.

Nos Estados Unidos, os escândalos por acusações de pedofilia custaram, em 2008, 436 milhões de dólares em indenizações às dioceses e às comunidades religiosas desse país por casos de abusos sexuais.

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