O ex-primaz da Bélgica, cardeal Godfried Danneels, rejeitou neste sábado as acusações de que estava ciente há tempos dos abusos sexuais cometidos contra menores pelo bispo da cidade belga de Bruges, Roger Vangheluwe, que admitiu os fatos e se demitiu na sexta-feira.

O sacerdote aposentado Rik Deville afirmou na sexta-feira que havia informado o cardeal Danneels deste tema nos anos 1990 e que não recebeu resposta.

O cardeal negou.

"Nunca tive a mínima intenção de silenciar os abusos do bispo Roger Vangheluwe ou de cobri-los com o manto do segredo", disse em coletiva de imprensa.

"Não me lembro de tal conversa, e dificilmente não teria prestado atenção ou esquecido semelhante mensagem", acrescentou o chefe da Igreja belga.

"Também não recebi nenhum documento escrito", declarou.

O porta-voz do cardeal Danneels, Hans Geybels, declarou que o ex-primaz da Bélgica não se lembrava dessas acusações.

O cardeal Danneels declarou na sexta-feira que não tinha sido informado do caso Vangheluwe até o início de abril e que havia organizado um encontro entre o bispo e sua vítima. Foi aberta uma investigação eclesiástica.

O bispo de Bruges demitiu-se na sexta-feira reconhecendo que tinha "abusado sexualmente de um jovem" durante anos, quando "ainda não era bispo e também um tempo depois" de ser ordenado bispo, em 1985. O papa Bento XVI aceitou sua demissão.

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