Carcereiros franceses protestam por superlotação de prisões

Carcereiros da França bloquearam o acesso a presídios em todo o país em protesto contra a superlotação das prisões e exigindo melhores condições de trabalho. A polícia usou gás lacrimogêneo contra os manifestantes que ergueram barricadas no centro de detenção de Fleury Merogis, uma das maiores prisões francesas ao sul de Paris, enquanto os carcereiros tentavam evitar que os detentos fossem transferidos para outras cadeias.

BBC Brasil |

Além da Fleury Merogis, também foram palco de incidentes prisões em Caen, no norte da França, a Nice, no sul.

O Conselho Europeu já criticou o sistema prisional da França, apontando-o como o pior da Europa Ocidental.

E, segundo a correspondente da BBC em Paris Jane Kirby, os carcereiros franceses alertaram que este seria apenas o início de sua greve. Os carcereiros, por lei, não podem fazer greves na França.

Transferências e advogados
Os carcereiros prometeram aumentar os bloqueios nas prisões, primeiro evitando a transferência de presos para audiências na Justiça e, depois, proibindo que visitantes e advogados tenham acesso aos detentos.

Os líderes sindicais da categoria afirmam que os carcereiros não conseguem mais lidar com a superlotação nas prisões, que seria a causa de rebeliões nos presídios e ataques contra os carcereiros.

A França tem mais de 63 mil detentos em prisões que, oficialmente, tem capacidade para atender apenas cerca de 52 mil prisioneiros.

A taxa de suicídio entre prisioneiros está aumentando - apenas em 2008 foram 115 suicídios e, desde janeiro de 2009, já foram registrados 50.

Dez carcereiros também cometeram suicídio nos primeiros cinco meses de 2009.

A ministra da Justiça, Rachida Dati, afirmou que poderá fazer uma reunião com os líderes sindicais na terça-feira para tratar das exigências da categoria de mais contratações para melhorar a administração das prisões francesas.

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