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Carcereiro diz que Pol Pot mandava esmagar prisioneiros

PHNOM PENH - O carcereiro chefe de Pol Pot disse em um tribunal apoiado pela Organização das Nações Unidas (ONU) que milhares de cambojanos foram torturados e mortos na famosa prisão S-21, sob ordens do líder do Khmer Vermelho.

Reuters |

Duch, o primeiro de cinco aliados de Pol Pot que irão a julgamento pelos massacres de 1975 a 1979, nos quais 1,7 milhão de cambojanos morreram, disse que o destino dos prisioneiros da S-21 foi selado em um encontro da liderança presidido pelo "Irmão Número Um", Pol Pot.

"O princípio era: quem fosse preso e interrogado, tem de ser esmagado. Isso significa ser morto", afirmou Duch, dizendo estar parafraseando minutos de um encontro em 9 de outubro de 1975.

O ex-professor de matemática, que tem 66 anos e cujo nome real é Kaing Guek Eav, era chefe da prisão também conhecida como Tuol Sleng, onde mais de 14 mil inimigos da revolução foram torturados e mortos.

Com a ausência de pena de morte no Camboja, Duch pode ser condenado a prisão perpétua se considerado culpado pelo tribunal conjunto entre ONU e o país. Ele é acusado de crimes de guerra, crimes contra a humanidade, tortura e homicídio.

Duch, que se tornou cristão após o Khmer Vemelho ter sido deposto por uma invasão vietnamita, aceitou a culpa pelas mortes, mas disse que estava apenas cumprindo ordens.

Ele descreveu nesta quinta-feira como a S-21 era estruturada. Ele se reportava ao então ministro da Defesa, Son Sen, que foi morto em 1997 sob ordens de Pol Pot, que morreu no ano seguinte.

"Pol Pot iniciou a política e Son Sen estava lá para implementá-la", afirmou Duch.

A maioria das vítimas da S-21 era torturada e forçada a confessar espionagem outros crimes antes de serem espancadas até a morte nos "Campos de Extermínio" fora da capital Phnom Penh.

Duch afirmou que encaminhava os relatórios de interrogatórios a Son Sen, e, depois, ao "Irmão Número Dois", Nuon Chea, que substituiu Son Sen como seu supervisor.

Nuon Chea e outros militares que enfrentarão julgamento -- o ex-presidente Khieu Samphan, o ex-ministro das Relações Exteriores Ieng Sary e sua mulher -- negaram ter conhecimento das atrocidades.

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