Com o auxílio de um mestre americano, libaneses praticam a capoeira e aprendem o idioma português na capital, Beirute. O antropólogo americano Arbi Sarkissian, de origem armênia, introduziu a capoeira no Líbano no início de 2006.

Desde então, o número de praticantes vêm aumentando e atualmente o grupo conta com 20 alunos, inclusive três americanos.

Sarkissian dedica cinco dias da semana para ensinar a luta e dança brasileira para alunos de nível iniciante e intermediário.

"O diferencial é que são alunos movidos pela diversão e a paixão pela cultura brasileira", disse ele à BBC Brasil, falando um bom português.

Sarkissian aprendeu capoeira no ano 2000 quando conheceu mestres brasileiros em Los Angeles, nos Estados Unidos. Ele conta que desde que começou a se interessar pela capoeira, a paixão pela cultura brasileira - principalmente a baiana - só aumentou.

"Eu havia feito o curso de Estudos Latino-Americanos na Universidade, estudando espanhol e português. Quando conheci os mestres brasileiros, fui convidado a praticar a capoeira e simplesmente me apaixonei".

Após visitar a Bahia duas vezes em 2005, para se aperfeiçoar no português e na capoeira, Sarkissian decidiu introduzir a arte em um país onde o Brasil é muito apreciado - o Líbano.

"No início havia um grupo de amigos libaneses, que chamamos de núcleo. Eles tomaram gosto pela capoeira e começamos a fazer apresentações em casamentos e festas".

Sobreviventes
Segundo Sarkissian, o relativo sucesso do grupo se deve à visão das pessoas de que a capoeira pode ser uma forma de relaxar, exercitar e, acima de tudo, de se divertir.

Durante a guerra entre Israel e o Hezbollah, em 2006, que devastou o sul do país e atingiu Beirute com bombardeios aéreos e navais, muitos alunos fugiram do Líbano ou se refugiaram em regiões mais seguras.

"Eu estava na Grécia quando a guerra começou e ficou difícil voltar ao país", afrimou.

Mas mesmo em meio à guerra, quatro libaneses se reuniam para continuar praticando, e acabaram fundando o "Capoeira Sobreviventes", que conta até com uma comunidade no site de relacionamentos Facebook.

"A gente ficava deprimido com a guerra, com toda aquela destruição e mortes. Naqueles momentos, a capoeira ajudou a gente a manter nossa mente e espírito", disse a profissional em marketing Cynthia Daher, uma das "sobreviventes".

Depois da guerra, os alunos retornaram, assim como as aulas de capoeira.

"O que me surpreendeu é que ninguém abandonou, todos voltaram e o grupo aumentou", destacou Sarkissian.

De acordo com ele, os libaneses recebem muito bem as apresentações, às vezes feitas em praças e mercados públicos.

Amor pelo Brasil
Outro praticante, o escritor americano Jackson Allers disse que há uma atração natural pela cultura brasileira.

"Muitos países têm um amor pelo Brasil, não apenas pelo seu futebol, mas também por sua arte, dança e música", afirmou Allers à BBC Brasil.

Sarkissian também ministra oficinas em que os alunos fabricam seus próprios berimbaus e outros instrumentos da capoeira. Além disso, alguns praticantes tentam aprender o português.

"Nós memorizamos as canções usadas na capoeira, mas eu precisava aprender o significado, queria aprender o idioma", disse Daher.

Nas noites de sexta-feira, um pequeno grupo se reúne para aprender português com o professor brasileiro Richard de Araújo, que está no Líbano por meio de um acordo entre os governos libanês e brasileiro para ensinar o idioma em um universidade pública.

"Dou aulas particulares para alguns praticantes de capoeira e outros que querem apenas aprender o idioma", explicou Araújo.

Para Daher, é emocionante começar a entender o significado do que canta nas rodas de capoeira.

"Acho o português um idioma muito bonito e poético, estou apaixonada pelo Brasil", salientou.

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