Tribunal decreta prisão domiciliar a capitão de navio naufragado na Itália

Francesco Schettino estava detido preventivamente desde sábado acusado de homicídio culposo múltiplo e abandono de navio

iG São Paulo |

Uma juíza italiana decretou nesta terça-feira prisão domiciliar contra o capitão do navio Costa Concordia, que se chocou contra uma rocha e tombou na sexta-feira, informou o advogado de defesa.

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AP
O capitão do navio Costa Concordia, Francesco Schettino, deixa o tribunal de Grossetto, na Itália

Francesco Schettino foi detido preventivamente no sábado sob acusação de homicídio culposo múltiplo (sem intenção de matar), naufrágio e abandono do navio, crimes pelos quais pode ser condenado a até 15 anos.

A decisão da juíza do Tribunal de Grossetto, Valéria Montesarchio foi tomada após três horas de interrogatório no qual, de acordo com o advogado de Schettino, o capitão manteve sua inocência. "Ele defendeu seu papel na direção do navio depois da colisão, o que, em sua opinião, salvou centenas, senão milhares de vidas", disse Bruno Leporatti.

Ele reiterou que não abandonou o navio após o tombamento. Em seu depoimento, segundo o jornal italiano Corriere della Sera, Schettino afirmou que foi lançado ao mar em algum momento depois do choque e não conseguiu voltar à embarcação pelo fato de ela ter ficado em um ângulo de 90º após a colisão.

Os promotores, entretanto, disseram que o depoimento de Schettino não muda o caso contra ele. De acordo com o procurador Francesco Verusio, a companhia proprietária da embarcação, Costa Cruzeiros, admitiu que houve "erro humano" e que o capitão não respeitou o regulamento, aproximando-se até 150 metros da costa.

O depoimento do comandante ocorreu no mesmo dia em que equipes de resgate que trabalham para achar as vítimas encontraram cinco corpos dentro da embarcação, elevando para 11 o número de mortos na tragédia. Antes dessa contagem, havia 29 desaparecidos.

Também nesta terça-feira, foram reveladas gravações da caixa preta do navio e de ligações telefônicas obtidas pela imprensa italiana que indicam que ele teria ignorado uma ordem da guarda costeira italiana para retornar ao navio e coordenar a retirada dos passageiros e tripulantes.

De acordo com os relatos publicados pela imprensa italiana, em uma conversa com a guarda costeira várias horas após o navio se chocar com a rocha que provocou seu naufrágio, Schettino dá respostas evasivas, sugerindo que não estava no controle da retirada dos ocupantes do navio.

A guarda costeira perguntou ao capitão quantas pessoas ainda estavam a bordo. Embora a embarcação estivesse cheia, o comandante respondeu que apenas entre 200 e 300.

Zoom: Veja imagens do naufrágio na Itália

A resposta levantou suspeitas e a guarda costeira perguntou se ele tinha deixado o navio. Schettino teria dito que sim. "O que você está fazendo? Está abandonando o resgate? Capitão, isto é uma ordem, estou no comando agora. Você declarou 'abandonar o navio'", afirma o oficial da guarda costeira a Schettino em determinado momento da conversa.

Ao ouvir do oficial que já havia corpos de mortos encontrados, Schettino pergunta quantos e ouve como resposta: "Isso é para você me dizer. O que você está fazendo? Quer ir para casa?", questiona o interlocutor.

O comandante garantiu que voltaria ao navio, mas testemunhas e investigadores que cuidam do caso afirmam que ele não voltou e disseram que ele pegou um táxi em direção a um hotel.

Ainda segundo as gravações obtidas pela imprensa italiana, o choque do navio com a rocha teria ocorrido às 21h45 (18h45 de Brasília), mas o capitão somente teria declarado problemas com a embarcação 49 minutos depois.

O primeiro alarme recebido pela guarda costeira teria vindo com a chamada de um passageiro do navio, às 22h06. A guarda costeira contatou então a tripulação do navio, mas foi informada que havia apenas um problema elétrico . O Costa Concordia naufragou na costa italiana na noite de sexta-feira, com mais de 4,2 mil a bordo, incluindo cerca de mil tripulantes.

Com ANSA e AP

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