Patricia Vázquez. México, 6 mai (EFE).- Com a recomendação de manter uma distância de 2,25 metros entre pessoas e reforçar as medidas de higiene, os locais de trabalho do México e os restaurantes da capital mexicana retomaram hoje as atividades suspensas pela gripe suína, que já deixou 42 mortos e 1.

070 infectados no país.

Apesar do nome, a gripe suína não apresenta risco de infecção por ingestão de carne de porco e derivados.

Hoje, o México começou a voltar à normalidade gradativamente com a retomada das atividades na Administração pública e nas empresas privadas, sob rígidas medidas de controle e higiene.

Nos locais de trabalho, entre outras coisas, foi proibido o uso de gravatas e as autoridades sugerem que os empregados lavem as mãos constantemente e que não compartilhem material de escritório. Além disso, determinaram que cada pessoa deve manter uma distância de 2,25 metros ao conversar com outra.

Da mesma forma, continua em vigor a recomendação de "não cumprimentar com beijos, aperto de mão ou abraços", e de usar máscaras.

Nesta quarta, os 35 mil restaurantes da capital que fecharam as portas em 29 de abril retomaram as atividades, mas apenas com 50% de sua capacidade.

Essa restrição foi motivada pelas medidas adotadas pelas autoridades de saúde nas condições dos ambientes que estabelecem um espaço de dez metros quadrados para um máximo de quatro pessoas, cujas cadeiras devem preservar uma distância de 2,25 metros.

Além disso, os estabelecimentos receberam instruções específicas para a limpeza do local, da mobília e dos talheres, assim como dos funcionários que trabalham nos restaurantes.

O vice-presidente de Relações Públicas da Câmara Nacional da Indústria de Restaurantes e Alimentos Condimentados (Canirac), Mario Cisneros, explicou em entrevista que a receita do setor no Distrito Federal, que gera 150 milhões de pesos (US$ 11,2 milhões) por dia, caiu 99%.

A capital mexicana, que esteve quase às moscas nos últimos cinco dias, apesar dos 19 milhões de habitantes da cidade, se for incluída a área metropolitana, retoma, pouco a pouco, o ritmo cotidiano, mas as ruas ainda estão longe de exibir o burburinho habitual.

As autoridades esperam que a capital recupere paulatinamente seu vigor, principalmente já que nesta quinta os alunos e professores de universidades retomarão as aulas, enquanto na segunda-feira é a vez dos centros de educação básica e das creches.

Nesse mesmo dia, devem reabrir as portas museus, bibliotecas e centros de convenções e religiosos, todos eles sujeitos a medidas sanitárias.

Por outro lado, bares, boates, casas de shows e espetáculos, estádios esportivos, salões de festas, cinemas, teatros, balneários e auditórios continuarão fechados até que o alerta pelo vírus se situe em um nível "médio".

O secretário de Saúde, José Ángel Córdova, deu hoje novos dados sobre as consequências deste vírus no México e elevou de 29 para 42 o número de mortos, o último deles um homem hospitalizado há dias no estado de Chiapas, sul do país, e que acabou morrendo na terça.

Já o número de infectados, segundo exames de laboratório, subiu de 913 para 1.070.

No entanto, o ministro explicou que a tendência é de que as mortes caiam, pois a maioria dos falecimentos aconteceu antes de 29 de abril, e, por isso, Córdova insistiu em que os óbitos tendem a diminuir.

O pico de mortes se deu entre 25 e 26 de abril, com 7 falecimentos.

Córdova esclareceu que dos 37 casos de mortes pendentes de análise até terça, foram estudadas 29 amostras, das quais 12 tiveram resultado positivo, e 17 deram negativo.

O ministro manteve o otimismo sobre a redução do ritmo de ocorrências da gripe e de mortes, mas admitiu que, com a retomada das atividades no país, devem aparecer pequenos surtos restringidos a determinadas regiões e fáceis de conter.

"Falar de controle significa passar 15 dias sem que haja um caso novo", o que ainda está longe de ocorrer, reconheceu.

Enquanto isso, os 165 passageiros mexicanos que foram levados da China em um avião fretado pelo Governo chegaram às 6h05 (9h05 de Brasília) ao aeroporto da Cidade do México.

A primeira-dama, Margarita Zavala, recebeu os passageiros que tinham denunciado que o Governo chinês os submetia a tratamentos humilhantes, como o isolamento, pelo fato de ser mexicanos e sem que apresentassem sintomas da gripe. EFE pvo/db

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