Capital da Somália está livre de insurgentes do Al-Shabab, diz governo

Radicais teriam abandonado posições em Mogadíscio na noite de sexta-feira; porta-voz do grupo fala em mudança de estratégia

iG São Paulo |

A capital somali está "completamente livre" dos radicais Al-Shabab que abandonaram suas posições durante a noite de sexta-feira, comemorou neste sábado o presidente Sharif Sheikh Ahmed em Mogadíscio. "Mogadíscio está completamente livre do inimigo e o resto do país está pronto para ser liberado", disse Ahmed.

O primeiro-ministro Abduwli Mohamed Ali acrescentou também que as autoridades “continuarão lutando contra os insurgentes para expulsá-los do resto do país".

AFP
Soldados somalis alertam civis sobre ação de insurgentes em Mogadíscio
De acordo com testemunhas, insurgentes islâmicos abandonaram na noite de sexta-feira várias posições em diferentes bairros de Mogadíscio que vinham sendo ocupados por tropas do governo de transição. O porta-voz do Al-Shabab Ali Mohamed Rage afirmou, no entanto, que a retirada da capital corresponde a uma "mudança na tática militar" dos insurgentes.

Os insurgentes do Al-Shabab controlam a maior parte do sul e centro da Somália, país que vem sofrendo com um uma grave seca e está sendo castigado pela fome em muitas regiões. Os rebeldes pedem o fim do governo de transição de Sharif Sheikh Ahmed, apoiado pela comunidade internacional e defendido pela força militar da União Africana.

Desde fevereiro, cerca de 9 mil militares de Uganda e de Burundi da coalização africana foram obrigados a retroceder nas duas principais linhas de frente da capital, diante dos combatentes islâmicos.

Fome

Apesar da violência e dos confrontos diários na capital, a seca e a fome já fizeram com que cerca de 100 mil somalis se refugiassem em Mogadíscio nos últimos meses. A ONU declarou situação emergencial devido à fome em três regiões do sul do país , assim como na capital e entre deslocados do corredor de Afgoye, localizado a 20 km da capital.

Calcula-se que cerca de 12 milhões sofrem com o período de grande seca na região do Chifre da África. Somente na Somália "são 3,7 milhões de pessoas em situação de crise, sendo que 3,2 milhões delas necessitam de ajuda imediata para continuar vivendo", alertou a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), que pediu intervenção de "grande envergadura" .

Na sexta-feira, o governo da Turquia pediu à Organização de Cooperação Islâmica que convoque uma reunião de urgência sobre esta crise humanitária.

Para a Unidade de Análise da ONU para a Segurança Alimentar e Nutrição (FSNAU, na sigla em inglês), "apesar da crescente atenção nas últimas semanas, a resposta humanitária atual continua sendo insuficiente devido, em parte, às restrições e deficiências de financiamento".

*Com AFP

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