Caos prossegue em Bangcoc e Exército faz advertência

BANGCOC - Setenta e quatro pessoas ficaram feridas em confrontos nesta segunda-feira entre o Exército tailandês e manifestantes da oposição em Bangcoc, que está desde domingo em estado de emergência, em meio a uma nova advertência das Forças Armadas.

AFP |

O Exército respondeu com disparos de advertência e bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes, que atiravam coqueteis molotov e pedras no cruzamento estratégico de Din Daeng.

De acordo com fontes médicas, dos 74 feridos dois estão em situação grave. Três ônibus foram incendiados e barricadas foram criadas em Din Daeng.


Manifestantes incendiaram ônibus e criaram barricadas / AP

O Exército da Tailândia utilizará "todos os meios possíveis" para restabelecer a ordem em Bangcoc, advertiu o comandante das Forças Armadas, Songkitti Jaggabatara.

"Os soldados usarão todos os meios para restabelecer a ordem rapidamente", declarou o general Songkitti em um discurso exibido pela televisão.

"Não usaremos a força para reprimir nosso povo, pois somos plenamente conscientes de que são tailandeses. Mas nos reservamos o direito de fazer uso das armas em legítima defensa", completou o comandante militar.

Esta é a primeira vez que as forças tailandesas reprimem manifestantes desde a instauração no domingo do estado de exceção, o terceiro em menos de oito meses na região de Bangcoc.


Soldados tailandeses passaram a reprimir manifestantes / AP

Estado de emergência

O estado de emergência foi decretado pelo primeiro-ministro, Abhisit Vejjajiva, que enfrenta há várias semanas manifestações dos chamados "camisas vermelhas" - simpatizantes do ex-premiê exilado Thaksin Shinawatra -, que exigem a renúncia do atual governo e a convocação de eleições antecipadas.

Abhisit afirmou nesta segunda-feira que os manifestantes devem voltar para casa.

"Nas próximas horas serão adotadas várias medidas para garantir a segurança de todos os grandes portos, aeroportos e grandes infraestruturas", declarou o porta-voz do governo, Panitan Wattanayagorn.

As autoridades não fizeram nada até o momento para expulsar as 10 mil pessoas acampadas ao redor da sede do governo.

Temor de mais confrontos

Vários países recomendaram a seus cidadãos que evitem as viagens a Bangcoc, que celebraria nesta segunda-feira a festa de Songkran, durante a qual as pessoas atiram com pistolas de água. Mas a cidade está em clima de tensão, com várias lojas fechadas e medidas de segurança extremas.

No sábado, milhares de manifestantes forçaram o cancelamento de uma reunião asiática ao invadir um hotel da cidade balneária de Pattaya. Os dirigentes dos países participantes foram obrigados a fugir em helicópteros

A tensão aumentou no domingo com a prisão do líder dos manifestantes de Pattaya, o ex-cantor pop Arisman Pongreungrong.

Milhares de "camisas vermelhas" atacaram veículos oficiais diante da passividade de muitos soldados.

Premiê polêmico

Thaksin Shinawatra, 59 anos, polêmico empresário bilionário que foi premiê de 2001 a 2006, quando foi derrubado por generais monárquicos, fugiu para o exterior para evitar uma condenação de diversas investigações por corrupção, mas continua sendo popular, sobretudo entre as pessoas mais pobres.

Abhisit Vejjajiva, 44 anos, é primeiro-ministro desde 15 de dezembro, depois da mudança na maioria parlamentar em consequência de manifestações pró-monarquia que acabaram com a ocupação dos dois aeroportos de Bangcoc.

Os "camisas vermelhas" acusam Abhisit de ser um "fantoche" nas mãos do Exército e de alguns conselheiros do rei Bhumibol Adulayadej.

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