Caos na Pensilvânia

Os números da senadora são péssimos, sangram o partido democrata na disputa com Barack Obama, embalam o senador McCain e engrossam as vozes pela saída de Hillary da campanha. Mario Cuomo, o ex-governador de Nova York, voz influente no partido, propôs a fórmula do vice.

BBC Brasil |

Para demonstrar que o partido está unido, os dois candidatos anunciariam que quem terminar em segundo aceitará ser vice.

Parece sensato e até promissor, porque quem for vice terá boas chances de ser presidente daqui a oito anos. A proposta foi imediatamente rejeitada.

Isto não é morte definitiva. Nesta campanha já tivemos três ressurreições de Hillary: a primeira em New Hampshire, depois na Superterça de 5 de fevereiro e no 4 de março com as vitórias no Texas, Ohio e Rhode Island.

Ontem ficamos sabendo que, no fim das contas, ela perdeu no Texas em número de delegados, mas aquela noite salvou a senadora.

Os números das chances de Hillary Clinton são quase irreversíveis, mas a Pensilvânia pode oxigenar a campanha dela.

Não serão suficientes para ganhar em delegados convencionais mas para conquistar super delegados. O senador Barack Obama também não tem como vencer a eleição sem os votos dos super delegados.

Há uma teoria até agora conspiratória, mas que dia-a-dia ganha credibilidade, sustentada por números. Milhares de republicanos e independentes se registraram como democratas na Pensilvânia e outros estados.

Só numa semana, em março, 50.374 eleitores na Pensilvânia mudaram de partidos e se tornaram democratas.

Há meses, Rush Limbaugh, que tem o programa de rádio de maior audiência do país, um dos homens que mais odeia os Clintons, começou a campanha pela mudança de partido. Outros radialistas de direita se uniram no projeto.

Pedem várias vezes por dia nos seus programas que os republicanos e independentes se registrem como democratas e votem em Hillary porque acham que ela é a candidata que pode unir os republicanos e seria mais fácil derrotá-la em novembro do que Barack Obama.

Há outras evidências do plano. Na década de 90, Hillary Clinton falava na "vasta conspiração da direita" contra o marido. Se havia uma conspiração, jamais comprovada, um dos principais arquitetos teria sido o bilionário Richard Mellon Scaife, herdeiro da fortuna do banco Mellon.

Na sua fase mais agressiva contra os Clinton, ele deu 1,8 milhão de dólares para a revista American Spectator levantar os podres do casal em Arkansas.

Scaife dizia que Hillary Clinton mandou matar Vince Foster, um dos principais assessores do marido na Casa Branca. O caso foi fechado como suicídio.

Scaife é dono do segundo maior jornal da Pensilvânia e na semana passada convidou Hillary Clinton para uma reunião com ele e seus principais editores.

"Saí encantado", escreveu ele no dia seguinte. "A senadora tinha postura, finura e respostas na ponta da língua para os principais problemas do país".

Hillary e seus assessores levaram um choque, mas Scaife disse que ainda não é um endosso. Quer ouvir Obama e McCain antes de apoiar um dos candidatos.

Partidários de Hillary estão divididos se ela deve aceitar este tipo de endosso. Além da perseguição e das mentiras sobre o casal, o currículo de Scaife é farto de insultos e abusos de mulheres.

Quando a dele descobriu que estava sendo traída e saiu de casa, Scaife colocou um anúncio no jardim: "Mulher e cão sumidos. Recompensa pelo cão".

O verdadeiro objetivo da campanha não é conseguir a indicação de Hillary Clinton na convenção, mas promover o caos e a sangria do partido democrata. Quanto mais longa, brutal e caótica for a briga entre Clinton e Obama, melhor para os republicanos.

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