Caos em Bagdá faz iraquianos redescobrirem rio Tigre

Ali Jabouri. Bagdá, 10 mai (EFE).- O rio Tigre está recuperando parte da antiga atividade em sua passagem por Bagdá, já que muitos iraquianos o utilizam como meio de transporte alternativo às ruas da cidade, infestadas por postos de controle e ameaçadas por bombas.

EFE |

Iraquianos como Ahmed e sua mulher, Azhar, preferem andar por Bagdá através das barcas que cruzam o rio Tigre, outrora centro de lazer e local onde pescadores buscavam seus sustento.

"Comecei a utilizar os botes do Tigre para me movimentar de uma área a outra há quatro anos, pelo aumento extraordinário dos postos de controle e dos engarrafamentos em Bagdá", explica à Agência Efe Ahmed, de 34 anos, enquanto se prepara para subir a bordo de uma das embarcações.

Segundo Ahmed, outro dos motivos que o levaram a escolher o meio de transporte são as barreiras de concreto existentes em algumas zonas, instaladas pelo Exército americano em torno de alguns bairros de maioria sunita da capital para prevenir ataques rebeldes, o que dificulta os acessos.

Para Azhar, mulher de Ahmed, subir nos botes traz lembranças dos tempos anteriores à invasão americana, em março de 2003, quando o rio era um dos locais preferidos pelos moradores de Bagdá para passear. Ela conheceu seu marido em uma das barcas.

O mesmo ocorre com o idoso Yabbar al-Jarji, de 75 anos, que vive em um bairro de maioria sunita e que também conserva em sua memória os tempos em que as barcas do Tigre eram usadas, sobretudo, por pescadores.

"Antigamente, as embarcações de remos quase não eram usadas como meio de transporte, mas agora a maioria se dedica ao transporte de passageiros", conta Jarji, que se queixa com nostalgia que esse tipo de botes esteja sendo substituído por barcos motorizados.

O aumento da atividade no Tigre representa um renascer para os estaleiros e novos postos de trabalho para os iraquianos, no momento em que o desemprego alcança no país índices sem precedentes, de até 18 %, como indica Abu Halim, dono de um dos barcos que leva passageiros.

Assim confirma o comerciante Abu Suhail, que disse à Efe que "a fabricação de embarcações voltou a seus antigos níveis, depois que caiu de forma vertiginosa pelo fechamento frequente da circulação nas pontes que unem as margens oriental e ocidental do rio".

Fora isso, Abu Suhail considera que o transporte por barco é mais vantajoso, porque "é mais seguro e mais rápido" para se movimentar pela cidade.

"Os carros-bomba e os artefatos explosivos são uma preocupação diária para mim, por isso que o rio se transformou na melhor alternativa para evitar todos esses perigos, explica o comerciante, consciente de que "Bagdá e outras cidades iraquianas estão entre as zonas mais perigosas do mundo".

Com seu nascimento nas montanhas do leste da Turquia, ao longo de 1.900 quilômetros o rio Tigre cruza o Iraque de norte a sul em paralelo ao Eufrates, com o qual conflui na cidade de Basra criando o estuário de Shat al-Arab, na fronteira com o Irã, que deságua no Golfo Pérsico. EFE am/rr

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