Caos aumenta temores de violência no Haiti

Quatro dias depois do terremoto que devastou Porto Príncipe na terça-feira, com estimados 140 mil mortos, há relatos de que algumas gangues estão atacando a população e fazendo saques. A BBC informa, porém, que a situação de segurança não está fora de controle.

iG São Paulo |

AP
Criança ferida espera atendimento no Haiti

Criança ferida espera atendimento no Haiti

Segundo autoridades, até 4 mil prisioneiros continuam foragidos. Muitos deles teriam conseguido escapar da prisão central da capital haitiana. Vários são líderes quimeras, o crime organizado local, que haviam sido presos com a ajuda das Forças de Paz da ONU chefiadas pelo Brasil.
"Homens apareceram de repente com machetes para roubar dinheiro", disse a moradora Evelyne Buino à AFP.

"Há ladrões à solta", disse o inspetor-geral da polícia haitiana, Jean-Yonel Trecile, à Reuters. "Para assegurar que a situação não piore, conseguimos prender 50 deles", afirmou.

Uma rádio local conclamou as pessoas a "se organizar em comissões de bairro para evitar o caos".

Segundo a CNN, funcionários da ONU ordenaram que uma equipe médica abandonasse um hospital de campanha na sexta-feira à noite por causa de questões de segurança. De acordo com um correspondente da rede americana, os médicos belgas não queriam deixar os pacientes, mas tiveram de acatar a ordem da ONU, que enviou ônibus para transportá-los. "Há preocupações sobre tumultos que estão ocorrendo não longe de onde estamos", afirmou.

Há pouco policiamento nas ruas, embora alguns soldados brasileiros tenham sido vistos em patrulha na cidade. Segundo a ONU, há aumento do número de pessoas que tentam cruzar a fronteira da República Dominicana ou ir para cidades no norte do Haiti.

Caos na distribuição de ajuda

Por causa da democra na distribuição da ajuda que chega ao país, muitos sobreviventes estão desesperados por água e alimentos. Neste sábado, centenas saquearam armazéns em busca de mercadorias . De acordo com o jornal britânico Guardian, grupos de homens com machetes vasculhavam os escombros dos prédios destruídos em busca de suprimentos; outros usaram corpos como barricadas, um sinal macabro do grau de desespero que atingiu a capital haitiana depois da tragédia.

"Eles estão mexendo em tudo. O que podemos fazer?", disse Michel Legros à Associated Press enquanto esperava para ajudar na busca de sete parentes soterrados em uma casa desmoronada.

Reuters
Haitiano limpa seu rosto em rua destruída de Porto Príncipe

Haitiano limpa seu rosto em rua destruída de Porto Príncipe

Mais de 25 equipes de resgate trabalham em escolas, hotéis, hospitais e edifícios, com a expectativa de que mais 13 se juntem ao trabalho, disse a ONU. Há falta de cirurgiões e remédios para atender os feridos. A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, visitou nesta sábado o Haiti para avaliar os danos causados pelo terremoto

Mortos

Segundo o secretário de Estado para Segurança Pública do Haiti, Aramick Louis, o número de mortos deve ultrapassar 140 mil. "Já enterramos 40 mil. Estimamos que haja mais 100 mil", afirmou.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, estima que nas áreas mais afetadas pelo terremoto, 50% dos prédios tenham sido danificados ou destruídos, deixando 3 milhões sem acesso a alimentos, água, abrigo e eletricidade. Na sexta-feira, a Cruz Vermelha afirmou que, nas 15 áreas mais afetadas pelo tremor, 70% das casas teriam sido destruídas.

Com informações de Reuters, AFP, AP, Guardian, BBC e CNN

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