Caos aéreo na Europa continua sem prazo para acabar

O caos no transporte aéreo na Europa continua sem prazo para acabar. Milhares de passageiros permanecem aguardando voos que vêm sendo cancelados há quatro dias, desde o início da erupção do vulcão Eyjafjallajoekull, na Islândia, que lançou uma nuvem de partículas vulcânicas na atmosfera.

iG São Paulo |

Cerca de 20 mil voos foram ou serão cancelados hoje na Europa, informou a Eurocontrol, a agência responsável pela segurança nos céus do continente. A agência indicou que, dos aproximadamente 24 mil voos previstos só poderão decolar quatro mil.

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Aeroporto italiano
Aeroporto em Milão, na Itália, foi invadido por nuvens

A maioria dos aeroportos internacionais europeus continua inoperante e 18 países - entre eles Grã-Bretanha, Alemanha, Suécia, Holanda e Bélgica - permanecem com o espaço aéreo totalmente fechado e 9 operam com restrições, enquanto a nuvem vulcânica não se dissipa.

A Eurocontrol confirmou que estão total ou parcialmente fechados os espaços aéreos europeus: Áustria, Bélgica, Croácia, República Tcheca, Dinamarca, Estônia, Finlândia, grande parte da França e Alemanha, Hungria, Irlanda, norte da Itália, Holanda, Noruega, Polônia, Romênia, Sérvia, Eslovênia, norte da Espanha, Suécia, Suíça, Ucrânia e Reino Unido.

No sábado, cerca de 17 mil voos, três quartos dos voos previstos, foram cancelados. A proibição de voos na Grã-Bretanha foi estendida até as 19h deste domingo (15h, no horário de Brasília). Os aeroportos do norte da França e da Itália devem permanecer fechados até segunda-feira.

Na Alemanha e na Holanda, as companhias aéreas Lufthansa e KLM realizaram voos de teste e estudam as aeronaves para detectar qualquer problema que possa ter sido provocado pelas partículas vulcânicas.

Segundo o glaciologista britânico Matthew Roberts, que trabalha no serviço de meteorologia da Islândia, o vulcão islandês já está produzindo menos cinzas.

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Vulcao

Vulcão Eyjafjallajoekull, na Islândia, entrou em erupção

"Entretanto, ainda há cinzas vulcânicas na atmosfera e um efeito retardado entre a emissão do material pelo vulcão e as cinzas flutuando para o espaço aéreo europeu", afirmou.

Além disso, meteorologistas afirmam que as condições meteorológicas continuam não colaborando para dissipar a nuvem de cinzas vulcânicas.

De acordo com Brian Golding, chefe de pesquisa de previsão da Agência Meteorológica Britânica (Met Office), ela deve permanecer sobre o país "durante vários dias".

"Precisamos de uma mudança na direção dos ventos que permaneça assim durante vários dias. E não há qualquer sinal disso no futuro imediato", disse Golding.

Prejuízos milionários

Somados às dificuldades enfrentadas por milhares de pessoas, estão prejuízos milionários provocados pela nuvem vulcânica. Além dos voos europeus, a grande maioria dos voos transatlânticos - apenas 55 de 337 viagens previstas foram realizadas - também está sendo cancelada, bem como os voos da China para a Europa.

Em cidades como Bangcoc e Cingapura, cujos aeroportos são muito usados como escalas para voos da Ásia para a Europa, as informações são de que a ocupação dos hoteis está próxima de sua capacidade máxima.

A estimativa é que o caos aéreo esteja provocado prejuízos de cerca de US$ 200 milhões (cerca de R$ 350 milhões) por dia às companhias aéreas. Para os passageiros ilhados, a conta pode incluir despesas imprevistas com diárias de hotel, extensão de seguros de viagem, médicos e com alimentação, entre outros.

De acordo com o editor de economia da BBC Robert Peston, os problemas podem se transformar em um "grande desastre econômico", já que várias companhias aéreas vinham atravessando dificuldades financeiras mesmo antes do caos vulcânico.

Peston afirma que, segundo informações de executivos das empresas aéreas, se os problemas continuarem por muito mais dias, várias delas vão afundar em dificuldades financeiras e talvez precisem de socorro dos governos.

Testes aéreos

As companhias aéreas Lufthansa e Air Berlin, as duas principais da Alemanha, confirmaram neste domingo que os voos de teste feitos no sábado foram realizados sem incidentes, apesar da nuvem de cinzas expelidas pelo vulcão islandês.

A Lufthansa enviou várias de suas aeronaves de Munique para Frankfurt, à espera de que se reabra o espaço aéreo alemão, fechado, por enquanto até as 15h de hoje (horário de Brasília).

Segundo um porta-voz da companhia, nenhum dos aviões, que voaram a uma altura máxima de 8 mil metros, sofreu danos por causa da fumaça. No entanto, assinalou que a empresa não deve realizar novos voos hoje.

A Lufthansa pediu também "dados confiáveis e concretos" sobre as medições da nuvem de cinzas e sobre seus efeitos no espaço aéreo, ao considerar que as informações atuais não são suficientes.

A Air Berlin também solicitou "resultados válidos" sobre as consequências da nuvem vulcânica, após realizar ontem três voos de teste a 3 mil metros de altura, dois deles entre Munique e Duesseldorf e outro entre Nuremberg e Hamburgo.

A companhia aérea informou que nos resultados dos testes não foram encontradas justificativas para o fechamento do espaço aéreo alemão.

A Air Berlin decidiu, por enquanto, não retomar os voos de teste até as 21h.

A holandesa KLM anunciou que fará hoje oito novos voos de teste entre Alemanha e Holanda, após comprovar o sucesso dos dois primeiros que realizou.

Da mesma forma, a Air France fará também hoje voos sem passageiros para comprovar o estado do espaço aéreo francês

Especialistas acreditam que as cinzas expelidas pelo vulcão - uma mistura de partículas de vidro, areia e rocha - podem danificar seriamente os aviões, entupindo as turbinas e fazendo com que os motores parem de funcionar em pleno ar.

Alternativas de transporte

Na Europa, passageiros estão buscando alternativas como trens, ônibus e barcas.

O serviço Eurostar, que liga a Grã-Bretanha ao continente europeu está lotado até segunda-feira.

"Em termos de fechamento de espaços aéreos, isso é pior que 11 de setembro. A interrupção é pior do que qualquer coisa que já vimos", disse um porta-voz do órgão que regulamenta a aviação na Grã-Bretanha, a Civil Aviation Authority.

Entre os milhares de pessoas afetadas pela nuvem de cinzas vulcânicas estão a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, que foi obrigada a pousar em Portugal na sua volta dos Estados Unidos, e a cantora americana Whitney Houston, que foi forçada a viajar de carro da Grã-Bretanha para a Irlanda para fazer um show.

A segunda erupção do vulcão da geleira de Eyjafjallajoekull em um mês começou na quarta-feira, lançando uma nuvem de fumaça a uma altura de 11 quilômetros na atmosfera. Uma fissura de 500 metros apareceu no topo da cratera.

O calor do vulcão derreteu parte do gelo em volta, provocando enchentes na região na quarta-feira.

Nos primeiros momentos, cerca de 800 pessoas tiveram de abandonar as suas casas. O vulcão, no entanto, continuou emitindo nuvens de poeira em direção à Europa.

Especialistas não sabem quanto tempo esta erupção deve durar. A última erupção vulcânica debaixo da geleira, antes deste ano, começou em 1821 e continuou por dois anos.


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Com BBC e EFE

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