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Cannes aplaude filme argentino Leonera e atuação de Rodrigo Santoro

Alicia García de Francisco Cannes (França), 15 mai (EFE) - Leonera, do diretor argentino Pablo Trapero e que tem o ator Rodrigo Santoro no elenco, foi muito bem acolhido hoje no Festival de Cannes, com elogios para o conjunto, mas, principalmente, para a protagonista, Martina Gusman. Santoro, que tem um papel pequeno, mas importante na trama, foi bastante elogiado. Também foi bem recebido um original documentário animado sobre o massacre dos campos de refugiados palestinos de Sabra e Shatila em setembro de 1982, Waltz with Bashir. O segundo dia da competição oficial do Festival de Cannes começou com o filme de Trapero, uma sólida, pesada e ao mesmo tempo leve história de uma mulher, Julia, que é presa. A história, no entanto, versa sobre sua relação com o filho que nasce enquanto está na prisão.

EFE |

O diretor argentino explicou em entrevista coletiva que o que realmente quis contar foi uma "história de amor", a de Julia e de seu filho Tomás.

E, para o papel da jovem mãe, escolheu sua esposa na vida real, Martina Gusman, que, com sua segunda interpretação para a telona, seduziu a mostra cinematográfica e foi inclusive comparada com a italiana Ana Magnani.

A atriz explicou que sua personagem foi "transformadora, muito intensa, muito solitária, que descobre através da maternidade outras facetas que a transformam em uma leoa", um dos significados do título do filme.

"Para mim, era muito importante mostrar essa transição, porque o filme conta quatro anos na história dela. Transforma-se muito tanto física como emocionalmente", ressaltou a atriz, que foi bastante aplaudida durante a entrevista coletiva.

O outro significado da palavra "Leonera" é "lugar de passagem", termo usado especialmente na Argentina para as áreas das prisões pelas quais os presos passam para serem transferidos, e que nesta história pode ser aplicado ao caminho que Julia inicia e que a leva a essa tremenda transformação.

Mas, além do trabalho de Gusman, é preciso destacar o magnífico trabalho de todo o elenco do filme, como Eli Medeiros, que interpreta a mãe um tanto distante da protagonista.

Hoje também se falou e muito do documentário animado "Waltz with Bashir", sobre o papel de Israel no massacre de palestinos em Sabra e Shatila (Líbano), dirigido por Ari Folman e baseado em suas próprias lembranças.

Um prodígio de técnica e de originalidade, ao misturar dois formatos tão aparentemente opostos quanto o do documentário e o do cinema animado, o filme foi defendido por seu diretor frente às dúvidas expressadas em relação a seu conteúdo político.

Sobre isso, disse que o longa "não é político", mas "unicamente a história pessoal de soldados", de suas "lembranças, sonhos e alucinações".

O filme conta, com depoimentos em sua maioria reais, os remorsos desses soldados israelenses sobre o que descreve como um papel passivo no massacre cometido nos campos de refugiados de Sabra e Shatila, onde mais de mil civis, em sua maioria mulheres e crianças, foram mortos por falangistas cristãos - segundo a versão oficial.

O diretor insistiu em que a responsabilidade direta do massacre foi unicamente de falangistas cristãos e que a única coisa que pode ser atribuída ao Governo israelense é sua passividade.

Este filme poderia continuar o caminho marcado no ano passado em Cannes pelo iraniano "Persépolis", também de animação, muito político, e que ganhou o Prêmio do Júri.

E, para fechar o dia, o único filme turco em competição oficial este ano em Cannes, "Uç Maymun", de Nuri Bilge Ceylan, no qual também se destacam as interpretações de seus atores e, principalmente, da atriz principal, Hatice Aslan.

Ceylan conta uma árida história familiar na qual as mentiras e as verdades se confundem e faz isso de forma pausada, às vezes até demais, e com uma narração sutil, de poucos diálogos e muitos olhares.

Três filmes que parecem responder ao que busca o júri da seção oficial desta edição.

"Qualquer que seja nossa decisão para a Palma de Ouro, temos todos uma mesma idéia, devemos estar certos de que o cineasta que fez esse filme tinha consciência da situação, da época do mundo em que vive", afirmou na quarta-feira o ator e diretor e americano Sean Penn, presidente do júri. EFE agf/db

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