Candidatos vão às urnas, enquanto eleição paraguaia corre sem incidentes

As eleições presidenciais correm normalmente no Paraguai neste domingo, onde o ex-bispo católico de esquerda Fernando Lugo concorre com grandes chances de derrotar a candidata governista e pôr fim a 60 anos initerruptos de poder do Partido Colorado.

AFP |

Os locais de votação foram abertos às 07H00 locais (11H00 GMT) e receberão a população votante até as 16H00 locais (20H00 GMT).

O pleito acontece "sem incidentes", segundo informes da Corte Eleitoral e da Polícia Nacional.

"Acho que ouvi a rádio dizer qualquer coisa sobre uma pequena briga entre jovens, mas além disso não houve incidentes", afirmou o presidente da Corte, Rafael Dendía. Ele explica que ainda não é possível afirmar quando os primeiros resultados serão divulgados.

Lugo, favorito nas pesquisas, foi o primeiro dos candidatos a votar, em uma mesa eleitoral da escola Talavera Ritcher, nas cercanias de Assunção, apenas 11 minutos depois da abertura oficial da votação.

O ex-bispo - que foi votar a pé, acompanhado pela presidente da associação argentina Mães da Praça de Maio, Hebe de Bonafini - depositou seu voto na urna e mostrou à imprensa o dedo sujo de tinta, prova de que já havia participado da votação.

"Estou com a tranqüilidade de ter cumprido o voto cidadão, isso é histórico", comentou.

Lugo concorre com a governista Blanca Ovelar, ex-ministra da Educação do atual presidente Nicanor Duarte, e com o general reformado Lino Oviedo. As eleições paraguaias serão definidas em apenas um turno.

Ovelar votou sorridente no colégio Vicente Iturbe, na capital Assunção.

Acompanhado por sua filha, Oviedo compareceu à mesa eleitoral do colégio Alvarin Romero, também na capital.

O presidente Duarte, por sua vez, se negou a especular sobre os resultados depois de votar.

"As partidas devem ser jogadas até o fim, e uma partida dura 90 minutos", afirmou.

Enquanto isso, Lugo ia à missa para comungar, logo depois de ter votado.

O ex-bispo - que abandonou a batina em dezembro de 2006 para se tornar candidato - participou de uma missa e comungou com os mais de 300 fiéis presentes no templo, que pareciam não notar sua presença.

Se Fernando Lugo vencer as eleições deste domingo, todos os países do Mercosul passarão a ser governados por presidentes de esquerda: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, além das nações associadas Chile e Bolívia e da Venezuela, atualmente em processo de ingresso como membro pleno.

"Se Lugo ganhar será um passo importantíssimo não só para o Paraguai, mas também para toda a América Latina, declarou Hebe de Bonafini, líder do grupo de mães de seqüestrados, desaparecidos e assassinados pela última ditadura militar na Argentina (1976-1983).

O longo histórico paraguaio de ditaduras, complôs e tentativas de golpe é o principal motivo para explicar a presença de centenas de observadores internacionais em Assunção, incluindo os enviados da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da Fundação Internacional para Sistemas Eleitorais (IFES), cuja missão é liderada pelo ex-presidente colombiano Andrés Pastrana.

Fontes do Partido Colorado denunciaram que dirigentes de suas bases receberam instruções do presidente Duarte para gerar incidentes que interrompam as eleições, informou o jornal local ABC.

O Partido Colorado está há 60 anos no poder, incluindo os 35 da ditadura de Alfredo Stroessner (1954-1989).

Ao longo da semana, Duarte insistiu a respeito da presença de "agitadores estrangeiros" no país, vindos principalmente da Venezuela, do Equador e da Colômbia. Na sexta-feira, o presidente afirmou que nem o governo nem "nenhum observador" pode "garantir seu comportamento", mas se negou a apresentar provas de sua acusação.

pz/ap

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