Candidatos sobem o tom em reta final de campanha eleitoral no Peru

Enquanto Humala acusa Keiko de cumplicidade com esterilizações forçadas, filha de Fujimori fala em ligação do candidato com narcotráfico

iG São Paulo |

A campanha presidencial do Peru termina nesta quinta-feira marcada por uma troca brutal de acusações entre os candidatos. Enquanto o nacionalista Ollanta Humala acusa a populista Keiko Fujimori, do Fuerza 2011, de ter sido cúmplice ou tolerado violações a direitos humanos, o candidato do Partido Nacionalista Peruano é acusado pela filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000) de envolvimento com o narcotráfico.

Segundo o jornal espanhol El País, a filha do ex-presidente sentenciado a 25 anos por crimes contra a humanidade, insistiu também que seu rival tem um discurso ambíguo quando diz que manterá o modelo de mercado livre que inpulsionou o crescimento do país, quando teve um passado de chefe militar nos Antes nos últimos anos de conflitos militares com o grupo de orientação marxista Sendero Luminoso. Humala, por sua vez, fez questão de lembrar um caso polêmico na história do Peru: as esterilizações forçadas de 300 mil mulheres durante o mandato de Alberto Fujimori.

O assunto tomou o debate político na última semana da campanha eleitoral depois do último debate, no domingo passado, e forçou Keiko a pedir desculpas às vítimas. A candidata do Fuerza 2011, no entanto, negou que as esterilizações tenham sido uma política de controle de natalidade planejada pelo governo de seu pai e atribuiu a “males profissionais” da saúde os danos causados às vítimas. As mulheres, a maioria indígenas pobres da zona andina, foram esterilizadas sob pressão e recompensas do governo. O Ministério da Saúde do Peru tem 200 mil casos documentados entre 1996 e 1997, além de 18 óbitos decorrentes de operações realizadas em lugares insalubres e sem instrumentos adequados.

A candidata também declarou que as esterilizações não foram feitas “contra” a vontade das mulheres ou “sem seu consentimento” e lembrou que o tema foi investigado por uma comissão com representantes do partido, para depois ser arquivado.

O aparato fujimorista contra-atacou o candidato nacionalista e acusou-o de ter prepetrado abusos contra a população civil na região andina de Huánuco no final da guerra contra o Sendero Luminoso, em 1992. Às acusações referentes ao processo, que foi arquivado por falta de provas, foram somadas denúncias de um suposto vínculo do candidato com o narcotráfico. Segundo o jornal Perú 21, o operário Antonio Mori Sandoval diz ter subornado quatro vezes Humala para permitir a passagem de aviões do narcotráfico de uma pista dentro da jurisdição na época a mando do candidato à presidência.

Pesquisas

Segundo pesquisas de opinião, Keiko e Humala estão empatados tecnicamente. De acordo com representantes de institutos responsáveis por cinco principais pesquisas, a candidata aparece com 51% dos votos válidos, enquanto Humala tem 49%. Empresas que também realizaram enquetes privadas nos últimos dias que confirmaram diferenças de menos de dois pontos percentuais entre os dois candidatos.

"Temos um país polarizado e dividido em partes iguais; é uma disputa eleitoral nunca vista antes no sistema eleitoral peruano", disse Fernando Tuesta, diretor do Instito de Opinião Pública.

As pesquisas, no entanto, não registraram a opinião dos peruanos no exterior (cerca de 750 mil), que poderiam representar 1,3% dos votos totais e fazer a diferença em uma disputa tão acirrada, segundo Alfredo Torres, diretor de Ipsos Apoyo.

Nesta quinta-feira também, um grupo de líderes políticos liderado pelo economista Pedro Pablo Kuczynski reuniu-se com Keiko Fujimori para ratificar apoio à sua candidatura. Além de Kuczynski, participaram do encontro o ex-prefeito de Lima Luis Castañeda, o economista Hernando de Soto e os ex-ministros Mercedes Aráoz e Alfredo Ferrero.

*Com EFE

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