Roma, 9 abr (EFE) - Os dois principais candidatos à chefia do Governo italiano, o líder da legenda conservadora Povo da Liberdade (PDL), Silvio Berlusconi, e o do Partido Democrata (PD), Walter Veltroni, aumentaram hoje o tom de seus discursos na reta final da campanha para as eleições gerais de domingo e segunda-feira.

Berlusconi atacou primeiro em entrevista ao canal de televisão "La7", quando pediu para Veltroni prometer que "a esquerda não usará cédulas em branco para cometer fraudes" e disse que a centro-esquerda só venceu nas eleições de 2006 por causa de irregularidades.

A resposta de seu adversário direto não demorou a chegar: "Uma pessoa assim pensa que pode governar um país?", questionou Veltroni durante a gravação de um programa da emissora pública de televisão "RaiUno".

Veltroni disse que enquanto ele estava ali para "falar da vida do país", Berlusconi "ficou nas fraudes, das quais só lembra quando perde as eleições".

Ainda atrás de Berlusconi nas últimas pesquisas de opinião, Veltroni pediu os votos dos italianos que "estão fartos" de tudo o que a política "produziu em termos de ódio e falta de modernidade".

Em um jogo de declarações cruzadas, Berlusconi voltou ao ataque, ao assegurar que Veltroni é chamado de "senhor mentiras" em Roma, cidade da qual foi prefeito até dois meses atrás.

Nem o presidente italiano, Giorgio Napolitano, escapou das polêmicas de hoje.

Berlusconi disse que, após as eleições, estaria disposto a dar a Presidência de uma das Câmaras ao PD "só se Napolitano renunciar" e se o novo chefe do Estado for eleito por seu partido.

O próprio Berlusconi explicou pouco depois que se tratava de "uma hipótese" e acrescentou: "Longa vida ao presidente da República".

O primeiro forte confronto entre Veltroni e Berlusconi aconteceu nesta terça-feira, quando o candidato do PD enviou uma carta a seu adversário na qual exigia que se comprometesse a uma renúncia expressa da violência na campanha eleitoral.

Esse pedido aconteceu depois de Umberto Bossi, líder da Liga Norte - partido aliado de Berlusconi - ter se mostrado no domingo disposto a "pegar em fuzis" caso as cédulas eleitorais não sejam alteradas.

O candidato do PDL respondeu imediatamente à carta e disse que "um herdeiro do comunismo" - Veltroni militou no Partido Comunista Italiano (PCI) - não garantiria democracia e lealdade à Itália. EFE cr/bba/db

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