Por John Whitesides WASHINGTON, (Reuters) - O candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama, reuniu na segunda-feira um estrelado time de conselheiros para que sua campanha dê mais ênfase à economia, maior preocupação atual do eleitorado norte-americano e tema que também ocupa seu rival John McCain nesta semana.

Depois de passar uma semana no exterior, tratando de assuntos internacionais, Obama viajou a Washington para reunir consultores como o bilionário investidor Warren Buffet, o ex-presidente do Fed (BC dos EUA) Paul Volcker e o presidente do Google, Eric Schimidt.

'Acredito que será necessária mais ação. A emergência econômica está se tornando mais grave, os empregos estão em baixa, os salários estão caindo, os mercados financeiros ameaçam entrar numa fase de restrição de crédito com ramificações duradouras', disse Obama no começo do encontro.

A campanha de McCain reagiu com uma teleconferência em que a consultora econômica Carly Fiorina disse a jornalistas que o candidato republicano está nos últimos meses 'conversando discretamente' com economistas como o presidente do Fed, Ben Bernanke, e o secretário do Tesouro, Henry Paulson.

'Acho que o povo norte-americano está recebendo mais um evento de Barack Obama para fotos, enquanto John McCain vem falando de economia, entendendo a economia, recebendo conselhos sobre economia há muitíssimos meses', disse Fiorina.

As pesquisas mostram que a economia é de longe o assunto que mais preocupa o eleitorado, e por isso o candidato deve agora tratar do preço da gasolina, dos despejos de mutuários inadimplentes e da quebra de bancos, por exemplo.

'O que eu gostaria de fazer a partir de hoje é entender como podemos começar a dar mais passos de curto prazo e de longo prazo para restaurar o equilíbrio na nossa economia, para que o empreendedorismo seja incentivado, para que o mercado prospere, para que nosso trabalho seja recompensado', disse Obama.

'Muitas das crises que enfrentamos é resultado direto de adiar decisões durante anos demais', acrescentou.

Também participaram da reunião num hotel de Washington os ex-secretários do Tesouro Robert Rubin, Lawrence Summers e o ex-secretário do Trabalho Robert Reich.

Obama disse que o objetivo será examinar propostas existentes e discutir medidas adicionais para reanimar a economia.

McCain critica Obama por prometer cancelar um pacote tributário do atual governo, que beneficia quem ganha acima de 250 mil dólares por ano, e também por ser contra a prospecção de petróleo em algumas áreas costeiras.

Já Obama acusa McCain de repetir as políticas econômicas do governo Bush. Várias pesquisas mostram que a maioria do eleitorado prefere a liderança de Obama e dos democratas nas questões econômicas.

Martin Feldstein, consultor econômico de McCain e professor de Economia de Harvard, disse que as propostas de Obama são ruins porque não estimulariam o emprego.

'O plano de Obama vai desacelerar a economia, vai deprimir a economia ao elevar impostos -- elevar impostos sobre os investimentos das empresas, elevar impostos sobre os indivíduos. E esse aumento de impostos não vai acontecer imediatamente, mas o fato de que ele prometa que isso vai acontecer em 2010 ou 2011 é suficiente para continuar a deprimir a economia agora', afirmou.

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