Candidatos defendem direito à tecnologia nuclear do Irã

Javier Martín. Teerã, 11 jun (EFE).- Os candidatos que disputam amanhã a Presidência iraniana encaram de maneira diferente a polêmica sobre o programa nuclear do país, embora todos acreditem que o desenvolvimento da tecnologia é um direito irrenunciável do Irã.

EFE |

Tanto o presidente Mahmoud Ahmadinejad quanto seus rivais insistiram em que o país tem o direito de desenvolver a tecnologia com fins pacíficos.

Mas, enquanto o atual governante afirma que este é um "capítulo fechado" e que qualquer discussão deve acontecer na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), os outros se mostraram dispostos a dialogar com o Grupo 5+1, que reúne os cinco países-membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha.

Este grupo acusa o regime de Teerã de esconder, sob seu programa nuclear civil, um suposto projeto militar paralelo cujo objetivo seria adquirir um arsenal atômico.

O Irã nega as acusações, insiste em que seus fins são pacíficos e assegura que a única meta é melhorar seu deficiente sistema de energia elétrica.

O suspeito programa nuclear foi, junto com os ataques verbais contra Israel, o principal ponto de conflito entre o Irã e a comunidade internacional durante os quatro anos de mandato de Ahmadinejad.

Logo depois de assumir a Presidência, em 2005, o ultraconservador decidiu revogar a política de seu antecessor, Mohamad Khatami, e retomar o enriquecimento de urânio que o reformista tinha suspendido como gesto de boa vontade em relação à comunidade internacional.

Desde então, o Irã desenvolveu com rapidez seu programa nuclear.

No dia 9 de abril, Ahmadinejad anunciou que seu país tinha mais de sete mil centrífugas prontas para enriquecer urânio, e que tinha conseguido fechar a cadeia de produção própria de energia em sua usina de Isfahan.

Além disso, está previsto para o fim deste ano o funcionamento definitivo do reator nuclear de Busherh, situado no litoral do Golfo Pérsico e construído durante mais de dez anos com ajuda da Rússia.

O Governo iraniano também está construindo uma usina de água pesada em Arak e pouco se sabe sobre as atividades na central de Natanz, vetada às inspeções da ONU.

O Irã, que sempre lembra que é um dos países signatários do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), diz que não se opõe à supervisão, mas não aceita que as visitas dos inspetores sejam de surpresa.

O tema nuclear quase não teve grande destaque na campanha eleitoral, e só foi tratado com certa amplitude pelos meios de comunicação estrangeiros.

Ahmadinejad, que costuma utilizá-lo em alguns de seus comícios para ilustrar "o progresso científico e tecnológico" que diz ter impulsionado em seu mandato, chegou a pedir o desarmamento nuclear no mundo, e sugeriu que as grandes potências devem ser as primeiras a dar o exemplo.

Neste sentido, o anterior negociador nuclear iraniano, Hassan Rowhani, acusou o líder de tentar tirar proveito de conquistas que começaram antes de sua chegada ao poder "e que pertencem a toda a nação".

O principal adversário de Ahmadinejad, o independente reformista Mir Hussein Moussavi, insistiu em que está disposto a negociar, mas sem renunciar à energia nuclear.

Além disso, assegurou que a decisão de seu país de retomar o enriquecimento foi motivada pelo desejo do Ocidente de aproveitar a conjuntura para obrigar o Irã a abandonar definitivamente suas ambições.

O candidato conservador Mohsen Rezaei, que parte como o candidato com menos chances de vitória, disse que seu país não suspenderá o enriquecimento e propôs que o Irã receba um consórcio internacional criado para enriquecer urânio no país.

Independentemente do vencedor das eleições presidenciais do Irã, a última palavra sobre o assunto continuará sendo do líder supremo da Revolução, o aiatolá Ali Khamenei, cujo poder é ilimitado. EFE jm/mh-an

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