Candidatos buscam votos diante do fechamento da campanha no Chile

Santiago do Chile, 14 jan (EFE).- Com a certeza que no domingo a disputa será voto a voto, os candidatos à Presidência do Chile estão empenhados em uma frenética caçada aos eleitores antes de encerrarem hoje à noite as campanhas.

EFE |

Pelas últimas pesquisas, o governista Eduardo Frei e o direitista Sebastián Piñera chegarão tecnicamente empatados ao segundo turno de 17 de janeiro, apesar de Piñera ter conquistado uma vantagem de 17 pontos percentuais no primeiro turno, realizado em 13 de dezembro.

No último dia de campanha, Frei permaneceu em Santiago, onde têm programados comícios, visitas "de porta em porta" e um ato de encerramento da campanha no município La Hacienda.

Sebastián Piñera começou o dia como convidado em um canal de televisão, onde cantou o "Parabéns à você" para sua esposa, Cecilia Morel, e depois viajou para Valparaíso para uma comício "Festa pela mudança", como são chamados os atos políticos deste candidato.

A partir do principal porto do país, o candidato direitista, que na quarta-feira à noite dançou "Thriller", ao estilo Michael Jackson, em outro programa de televisão, partiu para as cidades de Talca e Concepción, para os últimos atos de campanha.

No primeiro turno, o opositor Piñera, um milionário investidor, obteve 44,03% dos votos e o governista e ex-presidente (1994-2000) Frei conquistou 29,60%, o que levou a direita a dar a eleição por vencida.

Mas Frei conseguiu reduzir a diferença para 1,8 pontos: 49,1% contra 50,9% de Piñera, segundo uma pesquisa divulgada na quarta-feira pela empresa de consultoria Mori, cuja diretora, Marta Lagos, detalhou que a pesquisa não incluiu os últimos eventos eleitorais, aparentemente favoráveis ao candidato governista.

Conforme os analistas, em um debate na televisão realizado na segunda-feira, Frei se saiu melhor, e além do mais ontem ele recebeu o respaldo de Marco Enríquez-Ominami, o candidato independente que no primeiro turno conquistou 20,13% dos votos.

"Cavalo alcançado, cavalo vencido", reproduziam hoje o ditado os correligionários no comando do candidato governista, enquanto na direita davam a razão ao senador Andrés Allamand, que no domingo passado advertiu, com cautela, que a eleição não estava vencida, como pensavam muitos de seus correligionários.

Frei recebeu hoje um forte apoio da presidente Michelle Bachelet, quem em uma entrevista à Rádio Cooperativa reafirmou que votará nele, porque é uma pessoa "honesta" que separou negócios da política e tem "inteligência, experiência e coragem", para desejar o cargo, segundo disse.

Bachelet, que também pediu para os chilenos não anulem o votem em branco no domingo, insistiu que "não dá no mesmo quem vai governar o país, porque as conquistas, para que se transformem em progressos persistentes, devem ser sustentados no tempo".

O gesto de Bachelet, visto pelos analistas como um último esforço para tentar transmitir parte de seu altíssimo nível de aprovação (81%) ao candidato governista, foi agradecido por Frei e criticado pela direita, que o classificou de "intervencionismo eleitoral".

"Entendo que é um ato inadequado, provavelmente de discurso eleitoral", afirmou Rodrigo Hinzpeter, coordenador do comando do candidato opositor.

"A poucos dias de uma eleição, um presidente tem de cuidar da democracia e não fazer discursos, deve cuidar da alma do país e não desunir os chilenos", acrescentou.

Eduardo Frei agradeceu publicamente à presidente "pelo seu compromisso, seu afeto e sua decisão" e ressaltou que seu compromisso é "ser seu herdeiro do próximo Governo".

Para a eleição do domingo, pelos dados do Serviço Eleitoral, o censo de inscritos soma 8.285.622 eleitores, enquanto as mesas receptoras de votos somam 34.325 em todo o país. EFE ns/dm

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