Socialistas, mulheres, afro-americanos, ecologistas, latinos e libertários são alguns dos que fazem parte das chapas com candidatos de partidos alternativos aos dois majoritários - Republicano e Democrata - nas eleições presidenciais americanas. Mas, apesar de participarem do que pode ser um dos processos democráticos mais completos e abertos do mundo, pouco se conhece destes candidatos.

O acesso que eles têm aos meios de comunicação é muito menor e eles também não podem contar com muito dinheiro para transmitir sua mensagem.

Barack Obama poderia passar para a história ao se tornar o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, mas ele não é o único candidato da raça negra na corrida à Casa Branca.

Alan Keyes, ex-político republicano, é um freqüente candidato à Presidência e é negro. Ele chegou a disputar a indicação republicana com John McCain em 2008 e, ao fracassar, deixou o partido e se lançou como representante do Partido Independente Americano.

Keyes é direitista e conservador, contrário aos direitos dos homossexuais e ao aborto. Ele também é favorável ao direito de porte de armas de fogo e à limitação da entrada de imigrantes no país.

Na outra ponta do espectro político está Eugene Puryear, candidato a vice-presidente pelo Partido para o Socialismo e a Liberação.

Ao contrário de Obama, que a oposição republicana rotula como socialista, Puryear é um socialista de verdade. E também é negro. Ele é companheiro de chapa de Gloria La Riva, uma mulher latina.

A dupla é uma combinação de raça e gênero que se tornou muito popular nestas eleições, mas que, no sistema americano, não tem muito espaço.

Três em uma
Neste sentido, quem leva o prêmio é Cynthia McKinney, deputada da Câmara dos Representantes. Não apenas mulher, mas também negra e ecologista. Ela integra a chapa do Partido Verde, que divide com uma outra mulher, que é latina.

Concorre com elas na pouco provável busca por ocupar a Casa Branca, um outro eterno candidato, Ralph Nader - um ambientalista que, com seu companheiro de chapa, o latino Matt González, também levanta bandeiras pela preservação do meio ambiente.

Nader sempre conseguiu atrair um pouco de atenção. Ele é acusado de, em 2000, ter tirado votos do democrata Al Gore que teriam feito diferença. Gore perdeu a Presidência para George W. Bush.

"O eleitorado provavelmente não sabe sequer qual é a filosofia política destes candidatos", diz Tony Fellow, jornalista e diretor do Departamento de Comunicações das Universidades do Estado da Califórnia.

"Os americanos não são pensadores profundos em termos de política. Aqui é mais a personalidade do candidato que conta", acrescenta. "Assim que tiver mais dinheiro pode projetar mais sua imagem, e isso é o que estamos vendo nesta eleição."
Meta impossível
O problema para os candidatos que não são dos dois partidos principais - Republicano e Democrata - para difundir sua imagem está no próprio sistema da democracia americana. Um candidato precisa se inscrever em cada Estado para estar na cédula eleitoral.

Para cumprir a exigência, necessita recolher milhares de assinaturas e, para isso, precisa de fundos e de infra-estrutura. Ou seja, de dinheiro.

Por lei, as campanhas têm acesso a recursos públicos destinados especificamente para elas, mas o candidato tem que demonstrar que tem o apoio de pelo menos 5% da população, uma meta quase impossível para um político alternativo relativamente desconhecido.

Ralph Nader insistiu, sem sucesso, para ser incluído nos debates entre os candidatos.

Jorge Hayne, assessor do setor privado para diversos governos nos Estados Unidos, diz à BBC que o domínio do bipartidarismo é muito difícil de ser rompido.

"Os dois partidos tradicionais excluíram os alternativos. A exceção foi o candidato independente Ross Perrot, que utilizou sua fortuna pessoal para construir esse apoio dentro do coletivo político e apresentar-se para a Presidência", avalia Hayne.

Em 1992, Perrot conseguiu participar dos debates presidenciais ao lado de Bill Clinton e George Bush, pai do atual presidente, com um discurso pragmático que lhe rendeu 18% dos votos.

Para Tony Fellow, o futuro de um terceiro partido independente nasce em personagens como Ross Perrot, que alcançam determinada popularidade e têm recursos próprios.

"Os democratas contam com o dinheiro dos sindicatos, e os republicanos com o das grandes empresas. Uma figura como o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, ou o financista Warren Buffett, ambos com dinheiro e mensagem, poderia mudar as coisas", afirma Fellow.

Mídia
Mas, além dos rios de dólares necessários para se realizar uma campanha eficaz, Tony Fellows destaca um obstáculo que, como jornalista, conhece muito bem.

"Os meios de comunicação não querem ver uma corrida com mais de dois cavalos", afirma. "Cinco no páreo fica muito complicado tanto para eles como para o público."
Um discurso radical ou simplesmente fora do comum não atrai a atenção da mídia, avalia Fellow, tanto quanto uma figura como Sarah Palin.

"Isso é o que alimenta a mídia e eles, em última análise, escolhem os candidatos que têm apoio suficiente", conclui o pesquisador.

Outros nomes que dificilmente serão escolhidos nesta terça-feira incluem Chuck Baldwin e Leroy Pletten, do Partido da Constituição; Gene Amondson e Leroy Pletten, do Partido da Proibição (que é contra a venda de bebidas alcólicas); Thomas Robert Stevens e Alden Link, do Partido Objetor; e John Wayne Smith, do Partido da Festa do Chá de Boston.

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