Candidatos à Casa Branca têm reservas sobre plano de resgate da economia

Os dois candidatos à Casa Branca expressaram, nesta segunda-feira, suas reservas sobre o plano de resgate do sistema financeiro anunciado pelo governo americano e sugeriram que sua execução seja submetida a um controle independente.

AFP |

Para o candidato republicano, John McCain, o plano é uma intervenção excessiva do governo americano.

"Esse arranjo me incomoda profundamente. Quando falamos de bilhões de dólares do dinheiro dos contribuintes, é necessário algo mais do que dizer 'acreditem em mim'", declarou McCain, em sua viagem a Scranton (Pensilvânia, leste).

O senador pelo Arizona criticou o papel desempenhado pelo secretário americano do Tesouro, Henry Paulson, que dirige as medidas de salvamento do sistema financeiro. "Estou preocupado com o fato de que esse plano dá a uma única pessoa o poder de gastar um bilhão de dólares", disse.

"Nunca na história de nossa nação se concentrou tanto dinheiro e tanto poder nas mãos de uma única pessoa", acrescentou.

O plano, anunciado na sexta-feira, prevê gastar até 700 bilhões de dólares para recuperar os ativos podres dos bancos, mas ainda deve ser aprovado pelo Congresso.

Para o candidato democrata, Barack Obama, o governo de George W. Bush "propôs apenas um conceito de custo assustador, mas que não chega a ser um plano".

"Mesmo que o Tesouro recupere algumas, ou a maior parte dos investimentos com o tempo, essa cobertura de 700 bilhões de dólares terá o efeito de uma ducha fria", afirmou o democrata, domingo, em Charlotte (Carolina do Norte, sudeste dos EUA).

Os dois candidatos à eleição presidencial de 4 de novembro fizeram um apelo por um controle independente da execução desse plano econômico, que, segundo Obama, em entrevista à rede CNBC, "não pode ser um cheque em branco".

"Podemos pôr em marcha um dispositivo com um funcionário independente, talvez o presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano)", que inclua também "representantes democratas e republicanos", propôs.

"Em troca de seu apoio (ao plano), os americanos devem ter a segurança de que o acordo a que se chegou reflete os princípios básicos de transparência, eqüidade e reforma", insistiu.

Já McCain sugeriu a criação de um conselho de supervisão constituído por personalidades respeitadas do mundo dos negócios, entre os quais o multimilionário Warren Buffett, seu ex-adversário nas primárias Mitt Romney e o prefeito republicano de Nova York, Michael Bloomberg.

Ambos os candidatos criticaram os atuais hábitos de Wall Street e avaliaram que o governo de Bush não conseguiu impedir a crise econômica.

"A era da cobiça e da irresponsabilidade de Wall Street e de Washington nos levou a tempos perigosos", atacou Obama, que apresentará, hoje, em Wisconsin, uma série de propostas sobre o tema, em especial, sobre a modernização da regulação da economia.

"Acredito que o governo de Bush fracassou, que o Congresso fracassou, tanto democratas como republicanos. Todo o mundo fracassou", disse McCain, no domingo, em entrevista à rede CBS.

Os dois candidatos deverão confrontar seus pontos de vista sobre o assunto, na sexta-feira, no primeiro de três debates na TV, na Universidade de Mississippi, em Oxford.

col/tt

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