Candidato opositor da Colômbia tem mal de Parkinson

Segundo os médicos de Mockus, sintomas aparecerão em 12 anos, mas especialistas dizem que é impossível prever evolução da doença

Chris Bertelli, iG São Paulo |

O mal de Parkinson voltou às manchetes internacionais assim que o candidato à presidência da Colômbia, Antanas Mockus, revelou ter a doença, que afeta o cérebro, diminuindo principalmente as capacidades motora e de locomoção. Seu sintoma mais comum – e em geral o primeiro a ser notado – é o tremor nas extremidades, especialmente nas mãos, mas a doença também causa desequilíbrio, rigidez muscular, alterações motoras (como problemas para escrever) e dificuldades na fala.

Descoberta em 1817 pelo médico inglês James Parkinson, o mal é uma doença neurológica degenerativa e progressiva. No Brasil, não existem estudos demográficos sobre o número de afetados com o problema, mas os médicos trabalham com a estimativa de 200 casos a cada cem mil habitantes.

Em torno de 10% dos casos aparecem aos 40 anos, mas o pico de incidência é aos 60. Mockus, de 58 anos, recebeu o diagnóstico no início deste ano e afirmou que, segundo os médicos que o acompanham, a doença está controlada por remédios, com seus sintomas só devendo aparecer nos próximos 12 anos. “Imagino que ele estava se referindo a sintomas incapacitantes, já que ele deve ter apresentado alterações importantes para ter recebido o diagnóstico”, afirma o neurologista João Carlos Papaterra Limongi, pesquisador do Departamento de Neurologia da Universidade de São Paulo (USP) e autor do livro "Conhecendo melhor a Doença de Parkinson".

O médico ressalta, no entanto, que não é possível prever a progressão da doença, já que essa evolução varia de acordo com cada pessoa. “Se ele tiver uma condição de saúde razoável levaria, em média, de oito a dez anos para apresentar alguma limitação. Mas é difícil precisar um tempo, não sabemos como tudo vai evoluir. Pode ser que daqui a 20 anos ele esteja bem ou daqui a poucos anos esteja mal”, avalia o especialista.

O presidente da Associação Brasil Parkinson, Samuel Grossmann, que acompanha diversos casos, engrossa o coro. “Não há como prever a evolução da doença. Conheci um rapaz novo, de 32 anos, que começou a tomar remédios. Aos 40 anos ele estava ruim. Entretanto, conheci casos de pessoas com o problema há anos e sem sequelas consideráveis.”

Apesar da incerteza na evolução do quadro, é certo que situações de estresse maximizam os sintomas do mal de Parkinson momentaneamente. “O estresse físico pode agravar os sinais da doença naquele momento, o tremor, a rigidez, ou a dificuldade da fala pode ficar acentuada”, afirma Limongi. No caso do Papa João Paulo 2.º, por exemplo, a cada pronunciamento seus tremores nas mãos e a dificuldade na fala pioravam consideravelmente.

Tratamentos

Apesar de as pesquisas se concentrarem na busca por um tratamento que possa frear a evolução do problema, nenhum medicamento realmente eficaz foi encontrado para esse fim. Os métodos disponíveis atualmente preparam o paciente para lidar melhor com as mudanças do corpo, fornecem mais qualidade de vida e podem eventualmente evitar que a doença seja tão agressiva.

Os pacientes têm três opções: não-farmacológico, farmacológico e cirúrgico. No primeiro, estão o suporte psicológico, a fisioterapia, e terapia ocupacional. No segundo, medicações auxiliam a controlar temporariamente tremores e dificuldades de locomoção, por exemplo. Somente em situações mais graves é indicado o tratamento cirúrgico, que consiste em provocar lesões em áreas específicas do cérebro.

Para o neurologista João Carlos Limongi, é preciso tratar não apenas os sintomas da doença, mas também os problemas que surgem com ela. “Grande parte dos doentes tem depressão ou distúrbios do sono, que são reflexo do Parkinson. Eles também precisam ser tratados para dar qualidade de vida ao doente”, diz.

Para Grossmann, é preciso garantir uma vida saudável ao doente. “Durante anos eu cuidei de uma tia e hoje eu cuido da minha esposa, que também tem a doença há bastante tempo. Com os remédios existentes hoje, a evolução da doença é mais lenta, é possível viver com o mínimo de saúde. É preciso incentivar a realização de atividades físicas e em grupo, para promover a socialização.”

Outros casos

A revelação de Antanas Mackrus aumenta a lista de personalidades com o mal de Parkinson. No Brasil, o ator Paulo José luta contra a doença há 17 anos. Michael J. Fox, ator que ficou conhecido por estrelar o filme “De volta para o futuro”, convive com o problema desde os 30 anos e na época chocou a comunidade médica por apresentar os sintomas tão novo. Além deles, o mundo acompanhou o sofrimento do papa João Paulo 2.º, da atriz Katherine Hepburn, do músico Johnny Cash e ainda hoje do pugilista Muhammad Ali.

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