Antonio Pita. Jerusalém, 12 nov (EFE).- O candidato laico Nir Barkat, um bem-sucedido homem de negócios, tirou dos ultra-ortodoxos a Prefeitura de Jerusalém ao vencer as eleições municipais realizadas na última terça em Israel, cujos resultados foram anunciados hoje.

Barkat, que concorreu como independente, recebeu 52% dos votos, enquanto o ultra-ortodoxo Meir Porush (do partido Judaísmo Unificado da Torá e representante da continuidade da administração do atual prefeito de Jerusalém, Uri Lupolianski), teve que se conformar com 43% dos sufrágios.

O terceiro candidato em disputa, o milionário Arcadi Gaydamak, do recém-criado partido Justiça Social, recebeu apenas 3,6% de apoio.

Por sua parte, o músico Dan Biron ficou com apenas 1% dos votos, com seu Partido da Folha Verde, defensor da legalização da maconha.

"A partir desta manhã, sou prefeito de todos os jerosolimitanos", disse o prefeito eleito ao anunciar sua vitória com a metade dos votos apurados, informou a imprensa.

Barkat, de 49 anos e empresário do setor de alta tecnologia e informática, tinha se apresentado ao eleitorado como um defensor da moderação, do laicismo e da modernidade, ante a crescente população fundamentalista judaica.

Sua principal promessa foi dinamizar a economia da cidade graças a sua experiência nos negócios.

Sua posição teve apoios muito díspares como o do Partido Trabalhista, o da legenda de esquerda pacificista Meretz e o dos ultranacionalistas do Israel é Nosso Lar, que não apresentaram candidato.

Alguns formaram a aliança por pragmatismo, para tirar os ultra-ortodoxos da Prefeitura de Jerusalém, enquanto a direita decidiu apoiar Barkat por sua rejeição a compartilhar a cidade com os palestinos, que exigem fixar em Jerusalém Oriental a capital de seu futuro Estado.

Barkat saiu do partido governista Kadima por divergências neste ponto com alguns companheiros de legenda.

Há poucos dias, Barkat foi a Anata, em Jerusalém Oriental, acompanhado de dois importantes defensores da construção de assentamentos judaicos, como o diretor da Elad, uma organização cujo objetivo declarado é judaizar a antiga cidadela murada, de maioria árabe.

Em seu discurso desta manhã, o prefeito eleito, ex-pára-quedista, destacou que Jerusalém é a "capital eterna do povo judeu" e que "pertence à esquerda e à direita, aos religiosos e aos seculares".

Barkat superou assim a derrota das eleições municipais de 2003, quando perdeu para Lupolianski, apesar de ter sido considerado favorito.

O resultado também é uma radiografia da cidade: uma tensa divisão entre religiosos e laicos, uma esquerda desaparecida em combate e unanimidade entre os dois principais candidatos sobre a "indivisibilidade" de Jerusalém.

A população laica que apoiou Barkat vê majoritariamente os fundamentalistas judeus como um empecilho para o desenvolvimento da cidade por se dedicarem a estudar a Torá e o Talmude e viverem de subsídios pagos por impostos.

A participação eleitoral chegou a 41% em Jerusalém, 1 ponto percentual acima da média de Israel, onde foram eleitos prefeitos e vereadores para os próximos cinco anos em 159 cidades, localidades e povoados.

Como é habitual, a grande maioria dos 230 mil palestinos de Jerusalém (um terço da população) ignorou a consulta, em linha com os apelos da Autoridade Nacional Palestina (ANP), que considera o exercício do direito ao voto uma legitimação da ocupação israelense sobre toda a cidade.

O pleito municipal aconteceu três meses antes das eleições gerais de Israel, em 10 de fevereiro.

Em Tel Aviv, o prefeito Ron Huldai foi reeleito para cumprir seu terceiro mandato nos próximos cinco anos, ao receber a metade dos votos, em comparação ao 34% de Dov Khenin, do partido comunista Hadash. EFE ap/wr/fal

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