Candidato egípcio à Unesco lamenta fala sobre queima de livros

Por Sophie Hardach PARIS (Reuters) - O ministro da Cultura do Egito, Farouk Hosni, candidato ao principal posto da Unesco, agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para a cultura, pediu desculpas na quarta-feira por haver solicitado a queima de livros israelenses.

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A candidatura de Hosni para o posto de diretor-geral da Unesco provocou a fúria de um grupo de intelectuais que o acusaram de antissemitismo numa coluna do jornal francês Le Monde na semana passada.

Escrevendo no mesmo jornal, Hosni disse que se arrepende das palavras usadas, acrescentando que elas haviam permitido a detratores que o associassem a coisas que considerava odiosas.

"Nada está mais distante de mim que o racismo, a negação de outros ou o desejo de ferir a cultura judaica ou qualquer outra cultura", escreveu.

O filósofo Bernard-Henri Levy, o cineasta Claude Lanzmann e o Prêmio Nobel da Paz Elie Wiesel afirmaram na semana passada que Hosni disse que queimaria livros israelenses e chamou a cultura israelense de "desumana".

"Vamos queimar esses livros; se houver algum, eu mesmo o queimarei antes de você", teria dito Hosni a um membro do Parlamento discutindo sobre a presença de livros israelenses nas bibliotecas do Egito em maio passado, segundo os autores do artigo.

Na época, Hosni disse à imprensa que seus comentários eram uma "hipérbole".

A Unesco elegerá um novo diretor-geral em outubro e Hosni, indicado pelo governo egípcio, era visto como favorito para se tornar o primeiro diretor árabe da organização com sede em Paris.

No entanto, Levy, Lanzmann e Wiesel pediram que outros países vetem a candidatura, dizendo que Hosni denegriu a cultura israelense no passado.

"A cultura israelense é uma cultura desumana; é uma cultura agressiva, racista e arrogante baseada em um único princípio, roubar o que não lhe pertence e depois reivindicá-lo como seu", ele teria dito em 2001, segundo os intelectuais.

Hosni evitou qualquer referência direta a isso em seu artigo, mas afirmou que, se alguma declaração sua pareceu dura, ela deveria ser colocada no contexto do sofrimento do povo palestino.

Ele acrescentou que suas palavras não tinham a intenção de ferir ninguém.

Ninguém na Unesco estava disponível para comentar o caso.

Em 1979, o Egito tornou-se o primeiro país árabe a assinar um tratado de paz com Israel, mas desde então tem observado uma "paz fria", resistindo a manter relações ou laços culturais mais estreitos.

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