Candidato egípcio a secretário-geral da Unesco nega ser anti-semita

Paris, 15 set (EFE).- O candidato egípcio ao posto de secretário-geral da Unesco e ministro de Cultura de seu país, Farouk Hosni, negou as acusações de anti-semitismo que turvaram sua campanha, e insistiu que durante seu mandato houve enormes progressos na liberdade de expressão no Egito.

EFE |

Em entrevista publicada hoje pelo jornal francês "Le Figaro", Hosni ressaltou sua luta durante seus 22 anos como ministro contra os fundamentalistas islâmicos e contra os "inimigos da cultura" e ressaltou a grande tolerância apesar dos ataques que recebe.

O candidato egípcio à Secretaria-Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) nas votações que começarão o próximo dia 17 no conselho executivo se queixou que palavras suas no ano passado tenham sido interpretadas como anti-semitas.

A esse respeito, declarou que se tirou uma frase "de contexto" em uma conversa com um deputado fundamentalista no Parlamento que, segundo sua versão, lhe reprovava que houvesse nas bibliotecas egípcias "livros israelenses que insultem o Islã".

"Lhe disse então: 'se há livros que insultam o Islã, me os trazes e os queimarei'", explicou Hosni, antes de afirmar que essa resposta polêmica era uma forma de "enviar ao inferno a alguém que o ameaçava".

Denunciou "uma campanha baseada na mentira" e considerou "lamentável" que nela se tenham implicado "nomes respeitáveis", em alusão a personalidades como o escritor americano Elie Wiesel que consideraram que Hosni não é digno de dirigir a Unesco.

O titular egípcio de Cultura assegurou que nunca foi contrário aos judeus e aos que lhe reprovam não haver realizado uma normalização das relações culturais entre Egito e Israel replicou que "é normal. A região está em conflito e essa normalização não depende da decisão de um ministro".

"Se há paz entre Palestina e Israel, serei o primeiro que irei" já que "a cultura é uma arma muito importante. É preciso utilizá-la no momento adequado e esse momento não chegou", argumentou.

Além disso, lembrou que "se estivesse contra os judeus, por que teria restaurado todas as sinagogas do Egito há uma dezena de anos, por que teria feito traduzir livros do hebraico, por que teria restaurado e exposto seus documentos religiosos". EFE ac/fk

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