Candidato derrotado pede anulação de eleição no Irã

O candidato derrotado nas eleições presidenciais iranianas, Mir Hossein Musavi, anunciou neste domingo que apresentou ao Conselho dos Guardiães da Constituição um pedido de anulação das eleições por irregularidades.

Redação com agências |

O Conselho dos Guardiães da Constituição é a máxima autoridade encarregada de confirmar a validade das eleições.

"Apresentei neste dia (domingo) meu pedido ao Conselho dos Guardiães para anular os resultados da eleição", segundo um comunicado de Musavi divulgado no site de sua campanha eleitoral.

Os membros do Conselho são nomeados diretamente e indiretamente pelo líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, que comemorou no sábado a reeleição do atual presidente, Mahmud Ahmadinejad.

Segundo os resultados oficiais, Ahmadinejad, no poder desde 2005, obteve 63% dos votos, contra 34% para o ex-primeiro-ministro Musavi. Milhares de manifestantes entraram em confronto com a polícia por dois dias consecutivos desde que o presidente linha-dura Ahmadinejad venceu a eleição realizada na sexta.

AP
O presidente reeleito Mahmoud Ahmadinejad discursa

"Momento épico"

O presidente iraniano reeleito no sábado, Mahmoud Ahmadinejad, acusou a mídia internacional de espalhar propaganda contra o Irã e descreveu as eleições presidenciais de sexta-feira como um "modelo para o mundo". Em uma entrevista coletiva neste domingo, o líder iraniano disse que o pleito foi um "momento épico", insistiu que a votação foi livre e acusou a mídia internacional de não querer aceitar sua "vitória esmagadora".

"Quarenta milhões de pessoas participaram da votação. Como eles podem questionar isso?" indagou Ahmadinejad.

Ele também criticou os opositores que contestaram sua vitória, afirmando que eles estavam "perturbados" por não terem obtido os resultados que desejavam.

Questionado sobre o programa nuclear iraniano, Ahmadinejad disse que este debate "pertence ao passado", e afirmou que o Irã "abraçou" a ideia de um esforço internacional para eliminar armas nucleares.

Prisões

Mais de 100 reformistas, incluindo Mohammad Reza Khatami, irmão do ex-presidente Mohammad Khatami, foram detidos na noite de sábado, disse o líder reformista Mohammad Ali Abtahi. Um porta-voz do Judiciário iraniano declarou que eles não foram presos, mas que foram convocados e "avisados de que não devem elevar as tensões".

Segundo o porta-voz, eles foram libertados em seguida. Mas Abtahi, um ex-vice-presidente do Irã, disse: "Eles foram levados de suas casas ontem à noite." Ele disse que estão previstas mais prisões.

Os reformistas detidos são membros do principal partido reformista iraniano, Mosharekat.

A detenção de opositores e novos protestos aumentaram neste domingo a tensão no Irã. Cerca de 170 pessoas, 70 delas consideradas "organizadoras" dos protestos, foram detidas, indicou o subchefe da Polícia, Ahmed Reza Radan, citado pela agência oficial IRNA.

No domingo ao meio-dia, novos incidentes eclodiram em Teerã entre cerca de 200 partidários do candidato opositor Mir Hossein Musavi e as forças de segurança, que usaram bombas de gás lacrimogêneo para dispersá-los.

À tarde, a Polícia efetuou tiros para o alto para obrigar os manifestantes a recuar em uma avenida da capital.

Reuters
Protesto no Irã neste domingo

(*Com informações da Reuters, BBC, AFP e EFE)

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