Candidato de Zapatero é conhecido como homem das missões delicadas

Responsável pelo tema ETA no governo socialista, Rubalcaba enfrenta dificuldades em se eleger por crise econômica e desemprego

iG São Paulo |

Com sorriso e olhar perspicaz, Alfredo Pérez Rubalcaba ganhou popularidade por sua luta contra o ETA, como o homem das missões delicadas e o símbolo de um Partido Socialista preocupado em conter a tragédia anunciada para as próximas eleições do dia 20 de novembro.

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Reuters
Alfredo Pérez Rubalcaba conta com apoio do presidente José Rodríguez Luis Zapatero e do ex-presidente Felipe González

Aos 60 anos, Rubalcaba é considerado um orador brilhante e tem uma longa carreira no Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), no qual construiu com paciência a imagem de um homem de Estado.

A pequena estatura e a calvície não impedem que agrade o público com histórias e comentários espirituosos, que complementa com um olhar penetrante e um amplo sorriso sob a barba.

As características transformaram Rubalcaba no único socialista considerado capaz de limitar a derrota para o Partido Popular (PP) de Mariano Rajoy , que deve obter uma vitória esmagadora no domingo após as derrotas em 2004 e 2008 para o atual presidente José Luis Rodríguez Zapatero.

"Sempre foi um homem de referência em todos os governos que integrou. Para muitos, é o dirigente ideal para uma situação como essa", declarou Antón Losada, professor de Ciências Políticas na Universidade de Santiago de Compostela.

Nascido em 28 de julho de 1951 em Solares, norte do país, filho de um piloto comercial, foi professor de Química em na capital espanhola e em Montpellier, na França e na Alemanha, assim como atleta. Em pouco tempo, o velocista - que já disputou provas de 100 metros rasos no atletismo nos anos 1970 - deu lugar a outra paixão: a política. Mas, ao contrário da maioria de seus companheiros do exclusivo instituto madrilenho Pilar, considerado um viveiro da direita, escolheu o PSOE em 1974, no fim da ditadura franquista.

Com a posse de Felipe González como presidente do governo em 1982, Rubalcaba entrou para o Ministério da Economia, do qual se tornou titular dez anos mais tarde. Porém, foi sobretudo como porta-voz do governo, de 1994 a 1996, que impressionou a todos pela habilidade de desarmar escândalos, incluindo o do GAL, grupo de parapoliciais criado no governo de González e responsável por vários assassinatos de membros do ETA e separatistas bascos nos anos 80.

Responsável pelo tema ETA no PSOE e ministro do Interior em 2006, quando Zapatero fez a primeira remodelação no governo, o estrategista Rubalcaba ganhou popularidade com os golpes na organização separatista armada basca, entre eles a detenção em 2008 de seu chefe militar , Mikel Garikoitz Aspiazu, conhecido como Txeroki.

Com a queda do governo nas pesquisas, desacreditado pelo desemprego recorde, ele se impôs como o grande ativo socialista. Número dois de Zapatero desde outubro de 2010, ele foi escolhido como o candidato socialista para as eleições, superando a ministra da Defesa, Carme Chacon, que representa a ala jovem do partido. "Dizem que gosta de estar em tudo, mas não, ele é que é chamado para tudo", afirmou Zapatero durante a campanha eleitoral.

Seus simpatizantes atribuem a ele o anúncio histórico do ETA , poucas semanas antes das eleições, de que abandona em definitivo a luta armada. No entanto, sua credibilidade não foi suficiente e o discurso sobre emprego não ajuda muito. "As pessoas consideram que era o melhor de um governo medíocre, mas no fim a mediocridade do governo o afetou", considera Losada.

"Alguém que é um atleta, que é capaz de ter corrido 100 metros em pouco mais de dez segundos, pode ganhar as eleições em dez meses", assegurou em julho Zapatero, ao lembrar a juventude esportiva de Rubalcaba.

Os críticos o acusam de ter feito concessões aos terroristas e o consideram uma espécie de Maquiavel, um "gênio tenebroso", como escreveu o jornal de direita El Mundo. "É um intrigante. Dentro do próprio partido, triunfou matando não poucos politicamente", afirma José María Ridao, editorialista do El País.

No debate com Mariano Rajoy, Rubalcaba reconheceu a complexidade da situação, e a obrigação de tirar o país da crise com união e acordos. Para convidar os espanhóis às urnas, Rubalcaba declarou: "com indiferença não se resolvem os problemas".

O ex-presidente Felipe González, que durante muito tempo se manteve afastado da política, participou de vários atos desta campanha eleitoral para apoiar Rubalcaba, que para ele é "a melhor opção e o melhor candidato".

Casado e sem filhos, o torcedor do Real Madrid não revelou o que pretende fazer após as eleições em caso de derrota.

Com AFP e EFE

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