Candidato da oposição vence eleição presidencial no Chile

O empresário direitista Sebastián Piñera Echenique pôs fim neste domingo à hegemonia de 20 anos da coalizão de centro-esquerda Concertación no poder, ao ganhar neste domingo as eleições presidenciais do Chile com 51,61% dos votos no segundo turno. A vitória também representa o retorno da direita chilena à presidência pela via democrática 52 anos depois da vitória de Jorge Alessandri, em 1958.

iG São Paulo |

Piñera, candidato da direitista Coalición por el Cambio (Frente para a Mudança), alcançou 2,23 pontos a mais que o governista Eduardo Frei, que obteve 48,38% das preferências, segundo números divulgados pelo subsecretário do Interior, Patrício Rosende.

AP
Piñera (esq.) recebe os cumprimentos do candidato derrotado, Eduardo Frei

Piñera (esq.) recebe os cumprimentos de Eduardo Frei

O ex-presidente Eduardo Frei, da coalizão de centro-esquerda Concertación, no poder desde 1990 no Chile, reconheceu a vitória de Piñera quando a apuração de 60,32% das urnas já indicava a vitória do candidato da oposição.

"Os resultados da eleição deixam em evidência a solidez de nossa democracia. Foi uma eleição limpa e transparente, e a maioria dos chilenos deu seu apoio a Sebastião Piñera", afirmou Frei em um comício para seus partidários logo após saber dos primeiros resultados da votação. "Desde meu posto no Senado continuarei com vocês", completou.

Anteriormente, a vitória de Piñera já havia sido reconhecida por Juan Carlos Latorre, presidente da Democracia Cristã, um dos quatro partidos da coalizão. "Parece um fato irreversível. Queremos reconocer em Eduardo Frei uma pessoa que soube liderar o processo. Como partidos da Concertación seremos a oposição do governo que se iniciará em março", disse.

A vitória de Piñera pôs fim a quatro mandatos consecutivos da Concertación, e ele se transforma no primeiro líder da direita desde o retorno do Chile à democracia, em 1990, após 17 anos do regime militar comandado por Augusto Pinochet (1973-1990).

Mais de oito milhões de chilenos foram convocados às urnas neste domingo para escolher o sucessor da socialista Michelle Bachelet, que entrega o cargo em 11 de março.

AFP
Partidários de Piñera comemoram resultados

Partidários de Piñera comemoram resultados

Mudança

O regime de Pinochet durou de 1973 a 1990. A ditadura começou após o bombardeio do Palácio Presidencial, em 1973, quando o presidente socialista Salvador Allende estava no prédio, e durou até a eleição de Patrício Alwin, da Concertación, em 1990.

Agora, segundo diferentes analistas, essa frente, cujos principais partidos são a Democracia Cristiana (DC) e o Partido Socialista, deverá se "reinventar".

"A Concertación tem o desafio de se refazer e ouvir a mensagem das urnas", disse o analista Ricardo Israel, da Universidade Autônoma.

"O Chile avançou muito com a Concertación. Melhorou muito nas áreas econômica e social. Mas existe ainda, pelo menos uma falha, que é a do sistema eleitoral, herança do regime Pinochet", disse à BBC Brasil o porta-voz da campanha de Frei e senador eleito pela Concertación, Ricardo Lagos Weber.

O governo Bachelet mandou um projeto ao Congresso Nacional para modificar as regras atuais e tentar atrair os jovens, ainda pouco interessados nas eleições. A proposta prevê que, ao completarem 18 anos, os jovens estejam automaticamente inscritos para votar, o que não ocorre atualmente.
*Com informações de EFE e BBC
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