Candidato da oposição se retira de 2º turno das eleições no Afeganistão

O candidato da oposição no segundo turno das eleições afegãs, Abdullah Abdullah, anunciou neste domingo que se retirou do pleito, porque o governo se recusou a contemplar o que ele considera serem condições mínimas para evitar novas fraudes. Em uma entrevista coletiva na capital afegã, Cabul, Abdullah disse, porém, que não está incentivando seus eleitores a boicotar a votação, marcada para o dia 7 de novembro.

BBC Brasil |

"Não participarei das eleições", declarou. Mais adiante, questionado por repórteres se estava conclamando seus partidários a boicotar o pleito, disse: "Não fiz este chamado".

O candidato da oposição estava condicionando sua participação no segundo turno à renúncia do diretor da Comissão Eleitoral Independente, Azizullah Lodin, que foi rejeitada pelo presidente afegão, Hamid Karzai, que disputa a reeleição.

Como "condições mínimas" para permanecer na disputa, Abdullah também havia pedido o fechamento de diversos postos de votação, a fim de fazer melhor uso dos monitores eleitorais.

Em vez disso, as autoridades anunciaram que abririam mais locais de votação.

No primeiro turno, realizado em agosto, cerca de 1,5 milhão de votos foram anulados por indícios de fraude.

No sábado, um dos principais assessores de Abdullah, Ahmed Wali Massoud, disse à BBC que "nada mudou" deste o primeiro turno.

"Se o segundo turno for realizado, voltará a ocorrer fraude, portanto, não creio que estaríamos dispostos a participar", afirmou.

Dúvidas

O anúncio de Abdullah, ex-ministro do Exterior de Karzai, alimentou especulações sobre o futuro do processo eleitoral afegão.

Segundo o correspondente da BBC em Cabul Andrew North, uma das saídas ventiladas para o impasse seria a criação de um governo de unidade nacional.

Entretanto, um assessor de campanha de Karzai disse que, por enquanto, sua equipe pretende se manter a disputa.

"Até onde sei, vamos disputar o segundo turno", disse Moin Marastyal à agência Reuters.

A segunda rodada eleitoral só foi definida após a anulação dos votos fraudulentos do primeiro turno, o que reduziu de 54% para menos de 50% o percentual de votação de Karzai.

No sábado, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, tentou evitar que as incertezas no processo eleitoral afegão levem a uma desconfiança maior em relação à governabilidade daquele país.

Falando a jornalistas em Abu Dhabi, a diplomata americana avaliou que a saída de Abdullah Abdullah do segundo turno eleitoral não invalidaria a votação do próximo sábado.

"Nós vemos isso acontecer no nosso próprio país (os Estados Unidos), onde por uma dada combinação de razões, um dos candidatos decide não continuar", declarou.

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