Candidato da oposição no Uruguai elogia presidente

Na reta final para o primeiro turno das eleições presidenciais no Uruguai, que acontece neste domingo, o candidato opositor Luis Alberto Lacalle, do Partido Nacional (também conhecido como Partido Blanco), fez elogios ao atual presidente do país, Tabaré Vázquez e chamou de radical o presidenciável do governo José Pepe Mujica.

BBC Brasil |

"Tabaré representa o socialismo democrático europeu e termina seu mandato com altos índices de aprovação. Já Mujica é de uma esquerda mais radical, como Hugo Chávez (presidente da Venezuela)", afirmou Lacalle.

Tabaré e Mujica integram a coalizão de esquerda Frente Ampla. Mujica faz parte da ala mais à esquerda da coalizão, com o MMP (Movimento de Participação Popular).

Ex-presidente do Uruguai entre 1990 e 1995, Lacalle aparece em segundo lugar nas pesquisas de opinião, com cerca de 29% das intenções de votos. Mujica, ex-guerrilheiro durante o regime militar (1973-1985) e ex-ministro da Agricultura da atual gestão, lidera com mais de 45%, de acordo com diferentes levantamentos.

Mercosul

Analistas uruguaios ouvidos pela BBC Brasil dizem que existe uma "lista de diferenças" entre as propostas dos dois candidatos.

"A oposição é contra, por exemplo, a maior cobrança de impostos dos mais ricos, como defende Mujica", disse o professor de Ciências Sociais da Universidade da República, Miguel Serna.

O analista e o professor de Ciências Políticas da mesma instituição, Antonio Cardarello, observaram ainda que Lacalle é favorável a uma economia "mais aberta" aos outros países e menos vinculada às instituições do Mercosul.

O ex-presidente afirmou, em várias ocasiões, que o Uruguai deveria assinar um acordo de livre comércio com os Estados Unidos - o que desobedeceria as regras do Mercosul.

Uma das principais bandeiras da campanha de Lacalle foi o maior rigor no combate à insegurança pública.

Lacalle defende maior investimento na polícia e redução para dezesseis anos da idade de imputabilidade. Já o seu adversário nas eleições fala em "políticas sociais" para conter a delinquência.

Nos últimos dias, Lacalle destacou ser um candidato experiente, por já ter sido presidente, e com política de centro.

"A constituição é clara, diz que o presidente será o chefe da s Forças Armadas. O voto é muito importante e ser presidente também", disse.

Brasil

O terceiro candidato melhor colocado nas pesquisas é Pedro Bordaberry, do Partido Colorado, considerado de direita.

Bordaberry é filho do ex-presidente uruguaio Juan Maria Bordaberry, que liderou um golpe civil no início dos anos 70 e ocupou a Presidência durante parte do período ditatorial. Juan Maria está preso, acusado de crimes cometidos naqueles anos.

Pedro Bordaberry aparece como terceiro, nas pesquisas de intenção de votos, com cerca de 14% - índice acima do que o Colorado recebeu em eleições anteriores.

Ele defende que o Uruguai se associe ao Brasil e seja "proprietário" de uma usina nuclear no território brasileiro.

"O Brasil já conta com estas usinas e nós poderíamos ser donos de uma lá mesmo", disse, sugerindo que esta energia abasteça o Uruguai.

Bordaberry e Lacalle mostraram-se contrários a um dos plebiscitos que serão realizados juntos com a eleição de deste domingo, pela anulação da lei de anistia (para que militares e policiais respondam por crimes cometidos durante a ditadura).

Mujica, por sua vez, disse que apoia o plebiscito, mas ressalvou à BBC Brasil: "Fiquei preso 14 anos, mas o passado já passou".

Os dois candidatos da oposição também sinalizaram ser contrários ao outro plebiscito deste domingo que definirá o voto dos eleitores do exterior pelo correio.

Estima-se que 500 mil uruguaios morem no exterior e poderiam definir qualquer eleição no país, que tem três milhões de habitantes.

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