Candidato da oposição em Zâmbia acusa autoridades de manipularem pleito

Lusaka, 30 out (EFE).- A Zâmbia foi hoje às urnas para escolher o novo presidente do país, sem que se registrassem incidentes, mas o líder da oposição, Michael Sata, acusou as autoridades de manipularem o pleito.

EFE |

Desde às 6h (2h de Brasília) até às 18h (14h de Brasília), cerca de 6.500 centros eleitorais estiveram abertos para receber quase 4 milhões de eleitores inscritos, um terço dos cerca de 12 milhões de habitantes do país.

A Fundação para o Processo Democrático (Fodep), que acompanhou as eleições, afirmou que algumas irregularidades foram detectadas, sobretudo na identificação dos eleitores nos centros eleitorais, mas não foram registrados graves problemas.

Observadores nacionais e estrangeiros, entre eles membros da equipe da União Africana (UA), disseram que "não detectaram indícios de que as eleições tenham sido manipuladas".

Desde o fechamento dos centros eleitorais, Exército e Polícia vigiam os locais de votação, em estado de alerta máximo, para prevenir ações de violência como as registradas em 2006, quando Sata não aceitou os resultados oficiais, que deram a vitória a Levy Mwanawasa.

O governista Rupiah Banda e Sata são os principais aspirantes a ocupar a Chefia do Estado, após a morte de Mwanawasa em agosto, que sofreu de uma trombose cerebral dois meses antes.

A Comissão Eleitoral da Zâmbia anunciou que os primeiros resultados provisórios do pleito serão divulgados amanhã, depois da apuração dos votos, que teve início imediatamente após o fechamento das urnas.

Além de Banda, do Movimento pela Democracia Multipartidária (MMD), e Sata, da Frente Patriótica (PF), aspiram à Presidência Hakainde Hichilema, da Unido pelo Desenvolvimento Nacional (UPND) e Godfrey Miyanda, do Partido Tradicionalista (HP).

Segundo a Constituição do país, aquele que obtiver o maior número de votos será automaticamente o presidente do país e ocupará o cargo até 2011, quando terminaria o mandato de Mwanawasa.

A única pesquisa publicada indica que Sata poderia obter um apoio de 46% do eleitorado, enquanto Banda ficaria em segundo, com 32%, o que significa que o MMD poderia perder o poder pela primeira vez em 17 anos.

Hoje, Sata repetiu sua ameaça de não aceitar o resultado das eleições se não for o vencedor e acusou a Comissão Eleitoral e a Polícia de estarem envolvidas em uma conspiração para manipular as eleições a favor de Banda.

O dirigente opositor acusou a Polícia de "intimidar" os eleitores para que votassem pelo partido do Governo.

Ephraim Mateyo, inspetor geral da Polícia, afirmou que o papel dos agentes era "assegurar a ordem e não intimidar os eleitores" nos centros eleitorais.

Por sua vez, o Governo disse que a pesquisa é "tendenciosa" e afirmou que não permitirá ações violentas, independentemente do resultado das eleições.

O chefe do Exército, general Isaac Chisuzi, afirmou que suas tropas, junto à Polícia, estariam em estado de alerta máximo durante a votação e após o fechamento das urnas, e que impediriam qualquer ato violento.

Nas últimas eleições, em 2006, incidentes violentos foram registrados após a votação, pois Sata não reconheceu os resultados oficiais que deram a vitória a Mwanawasa, que como Banda pertencia ao governista MMD, que está há 17 anos no poder.

A economia será a preocupação essencial de quem vencer as eleições, que deverá manter o interesse para os investimentos internacionais, que Mwanawasa conseguiu multiplicar por vinte, de cerca de US$ 70 milhões em 2001 para US$ 1,4 bilhão em 2007.

Enquanto Banda se apresentou como o sucessor de Mwanawasa, Sata voltou sua campanha para os pobres, que são maioria em um país onde mais de 65% da população sobrevive com menos de US$ 1 por dia, prometendo empregos e melhoras nos serviços básicos, além de uma redução de impostos. EFE mc/ab/plc

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