Candidato da esquerda vence eleições no Paraguai

O ex-bispo e candidato de esquerda Fernando Lugo ganhou as eleições presidenciais no Paraguai neste domingo, com 39,2% dos votos, contra 32,6% para a candidata do governo, Blanca Ovelar, segundo a primeira projeção da Corte Eleitoral.

AFP |

A primeira TREP (Transmissão Rápida de Resultados Preliminares) do Tribunal Eleitoral do Paraguai revela que Lugo recebeu 39,2% dos votos, contra 32,6% para Ovelar, do Partido Colorado, e 21,3% para o general reformado Lino Oviedo, da União Nacional de Cidadãos Éticos (Unace).

A vitória de Lugo já era comemorada com fogos de artifício, que explodiam nos céus de Assunção, enquanto a sede da coalizão do ex-bispo estava cercada por partidários.

Lugo apareceu sorrindo, com o braço levantado e uma bandeira do Paraguai sobre os ombros, para saudar seus partidários.

Caso a Corte Eleitoral confirme suas projeções, Lugo será o primeiro presidente paraguaio fora do Partido Colorado desde 1947.

O Partido Colorado, do presidente Nicanor Duarte, perderia assim o poder após 61 anos no governo do país, incluindo os 35 anos da ditadura de Alfredo Stroessner (1954-1989)

As seções eleitorais fecharam a partir das 16H00 local (17H00 Brasília), após uma votação tranqüila, sem incidentes significativos e com grande participação popular.

O ex-presidente colombiano Andrés Pastrana, que lidera a missão de observação internacional Ifes, afirmou que houve "uma grande festa democrática" e que os governantes "devem ser capazes demonstrar que não estão abaixo dos cidadãos".

Com a vitória de Lugo, todos os países do Mercosul passarão a ser governados por presidentes de esquerda: Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, além das nações associadas Chile e Bolívia e da Venezuela, atualmente em processo de ingresso como membro pleno.

Lugo, de 56 anos, é Partidário da Teologia da Libertação, admirador de Leonardo Boff e de Dom Helder Câmara, simpatizante dos governos de Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia) e de Rafael Correa (Equador).

Durante a campanha, Lugo prometeu que sob seu governo o Paraguai evitará se posicionar em um dos pólos de esquerda regional, fará uma reforma agrária respeitando a Constituição.

O ex-bispo disse ainda que vai renegociar a maneira como o Paraguai vende a energia elétrica da represa binacional de Itaipu ao Brasil para estipular "um preço de mercado".

"A energia não está sendo vendida ao Brasil por um preço justo porque é valor de custo e não o de mercado. Ninguém dá energia a preço de custo. A Venezuela não vende seu petróleo a preço de custo. Assim como o Chile não dá o seu cobre e a Bolívia não vende o seu gás a preço de custo".

O Paraguai vende ao Brasil o excedente de sua parte da energia que não consome a um preço fixado em um acordo de 1973.

Lugo alega que os 300 milhões de dólares pagos pelo Brasil anualmente ao Paraguai são irrisórios quando na realidade deveria pagar entre 1,5 a 2 bilhões de dólares, a preço de mercado.

Sobrinho de um dirigente do Partido Colorado que foi perseguido e exilado pelo ditador Alfredo Stroessner, Lugo entrou tarde para a política, em 29 de março de 2006, quando conseguiu reunir 40.000 pessoas de todas as tendências para protestar contra o governo de Nicanor Duarte.

pz/ap/tt/LR

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