Jerusalém, 6 out (EFE) - Nir Barkat, um dos candidatos favoritos para as próximas eleições municipais em Jerusalém, rejeitou hoje que Israel faça qualquer concessão aos palestinos nesta cidade, a qual considera deve ficar unificada sob soberania israelense.

Em coletiva de imprensa, Barkat - atualmente independente, após ter abandonado o governamental partido Kadima - ressaltou que "Jerusalém deve permanecer unificada, como capital do povo judeu, e aberta a todo o mundo e religiões".

Com isso, evidenciou sua rejeição à aspiração dos palestinos de estabelecer, no leste da cidade, a capital de seu futuro Estado.

A pouco mais de um mês das eleições municipais em Israel, previstas para 11 de novembro, Barkat surge como um dos dois candidatos favoritos em Jerusalém, junto ao ultra-ortodoxo Meir Porush, que representa a continuidade à gestão do atual prefeito, Uri Lupoliansky.

"Os ultra-ortodoxos entenderam que dirigir uma cidade não é tão fácil", afirmou Barkat, que, representando os laicos, tenta devolver à cidade um espírito progressista em termos econômicos, aprovado por sua experiência nos negócios.

Sua aparência progressista, no entanto, não se reflete nas suas posturas ideológicas, o que o levou a abandonar o Kadima há meses por divergências sobre o futuro da disputada cidade.

"Comecei com o Kadima, mas abandonei esse partido desde as declarações do vice-primeiro-ministro (Haim) Ramon", destacou, ao se referir às declarações do político, próximo ao primeiro-ministro em fim de mandato, Ehud Olmert, em relação a que era necessário dividir a cidade.

Olmert referendou as declarações e, desde então, defende uma clara divisão da cidade entre israelenses e palestinos.

"A palavra Jerusalém vem da raiz hebréia 'shalem', que significa 'completa'", justificou Barkat, um empresário que, há seis anos, deixou de trabalhar para se dedicar exclusivamente ao desenvolvimento da cidade.

Questionado sobre o muro de concreto de oito metros que divide parte da cidade, e por sua divisão de fato em uma clara parte judia e outra palestina, disse que "é preciso entender que a vida é mais importante que a qualidade de vida", e que o muro permanecerá em seu lugar até que sejam resolvidos os problemas de segurança de Israel.

Aos mais de 230 mil palestinos que moram na parte leste, não oferece mais que a residência permanente e sua integração na cidade em igualdade de condições econômicas - que não políticas - da população judaica.

Barkat defendeu a colonização da parte leste, com o argumento de que "se é perfeitamente legal que um árabe viva em bairros judeus, por que um judeu não deveria viver na parte leste?".

Para o candidato, as aspirações nacionais dos palestinos a declarar a capital na parte leste de Jerusalém não são motivo de preocupação.

"É preciso transformar a população (palestina) em parte integral da cidade, mas sob soberania israelense", insistiu, porque "o principal problema ali é o abandono, a falta de desenvolvimento".

EFE elb/db

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