Por Will Dunham WASHINGTON (Reuters) - O câncer deve superar em 2010 as doenças cardíacas como a principal causa mundial de mortes, com um aumento especialmente intenso nos países pobres, por causa do tabagismo e de outros fatores, disseram especialistas na terça-feira.

Globalmente, estima-se que 12,4 milhões de pessoas receberão o diagnóstico de algum tipo de câncer neste ano, e que 7,6 milhões de pessoas vão morrer, segundo relatório da Agência Internacional de Pesquisas sobre o Câncer, da Organização Mundial da Saúde.

"O ônus global do câncer dobrou nos últimos 30 anos do século 20, e estima-se que dobre novamente entre 2000 e 2020, e quase triplique até 2030", segundo o relatório.

Até 2030, até 26,4 milhões de pessoas por ano receberão o diagnóstico de câncer, sendo que 17 milhões vão morrer da doença, previu o estudo.

Entre homens, o câncer de pulmão é a forma mais comum e a mais letal, e entre as mulheres é o câncer de mama. O câncer atinge mais os homens do que as mulheres. Atualmente, uma em cada oito pessoas morre de câncer. O envelhecimento de muitas populações -- o câncer é mais comum em idosos -- e o aumento do tabagismo em países pobres estão entre os principais fatores para o aumento.

Alguns países ricos, por outro lado, conseguiram reduzir o consumo de cigarros, que provoca a maioria dos casos de câncer de pulmão, e várias outras doenças. Nos EUA, os dados mais recentes, de 2007, mostram que, pela primeira vez nos registros históricos, menos de 20 por cento dos adultos fumam.

Mas os fabricantes estão buscando novos clientes nos países em desenvolvimento, e John Seffrin, executivo-chefe da Sociedade Americana do Câncer, lembrou que 40 por cento dos fumantes do mundo vivem em apenas dois países -- China e Índia.

Há várias décadas, o câncer era considerado um problema de países ricos e industrializados. Hoje, o problema é mais grave nos países pobres e de média renda, muitos dos quais não têm condições de fornecer tratamento aos pacientes.

"Há mais mortes no mundo de câncer do que de Aids, tuberculose e malária juntos", disse Peter Boyle, da Agência Internacional de Pesquisas sobre o Câncer.

Ao mesmo tempo, autoridades relatam avanços contra o câncer em lugares como Estados Unidos e Europa.

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