Câncer de Chávez pode ser no intestino, diz jornal

Wall Street Journal diz ter ouvido pessoas próximas ao líder; a Dilma, venezuelano diz que avaliará oferta de se tratar no Brasil

iG São Paulo |

O jornal americano The Wall Street Journal afirmou nesta sexta-feira que o câncer do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, poderia ser no intestino, de acordo com duas pessoas ouvidas pelo diário que estariam familiarizadas com o estado de saúde do líder.

Chávez afirmou na semana passada que tinha passado por uma cirurgia em Cuba para retirar um tumor cancerígeno na região pélvica , mas não especificou que tipo de câncer estava tratando. Chávez retornou à Venezuela na segunda-feira após quase um mês de ausência, a maior parte do tempo em Havana.

Baseado nas informações dadas por Chávez e pelas fontes ouvidas pelo jornal, um médico disse ao Wall Street Journal que o líder parece ter um câncer do cólon no estágio 2 ou 3.

O estágio 2 significa a penetração de um tumor pela parede do intestino, sem que ele tenha se espalhado. O estágio 3 significa que o tumor se espalhou por locais próximos, mas não para outros órgãos.

Também segundo o médico, um paciente que tenha descoberto o câncer do cólon em estágio inicial tem 90% de chance de sobrevivência. Se o câncer se espalha (estágio 3), essas chances diminuem. Nesse caso, quem faz quimioterapia tem 70% mais chances de sobreviver por mais de cinco anos.

Dilma

Nesta sexta-feira, o líder venezuelano conversou com a presidenta Dilma Rousseff para agradecê-la pela oferta de tratamento médico no Brasil, segundo informou o porta-voz da Presidência, Rodrigo Baena Soares. Durante o telefonema, que durou cerca de dez minutos, Chávez afirmou que avaliará a proposta e que está se recuperando bem.

Na semana passada, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, sugeriu ao chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, que o líder fosse tratado no Hospital Sírio-Libanês de São Paulo. O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, e a própria Dilma passaram por tratamento no hospital.

A presidenta enviou uma mensagem de solidariedade ao líder venezuelano na última sexta-feira. No texto enviado a Chávez, a brasileira ressalta que em momentos difíceis, “é importante não só o cuidado dos médicos, como nossa coragem pessoal e a solidariedade dos amigos”.

Antes do telefonema, Chávez já tinha agradecido o apoio de Dilma durante uma reunião de conselho de ministros transmitido pelo canal estatal VTV. "Obrigado à presidenta Dilma, quero falar com Dilma", declarou Chávez. "Ela também sofreu de um câncer e nos colocou a disposição toda sua experiência, seus médicos".

Durante a transmissão, Chávez agradeceu as mensagens de apoio enviadas por outros líderes, como Fernando Lugo e o presidente iraniano, Mahmmud Ahmadinejad. "Obrigado ao presidente Ahmadinejad por suas mensagens, suas saudações. Lugo também padeceu de um câncer e está plenamente recuperado, como Dilma. Eles estão muito sensibilizados. É preciso agradecer tudo isto", afirmou.

Gabinete

Durante a reunião de conselho de ministros, Chávez negou que fará mudanças no gabinete e prometeu "radicalizar" a revolução bolivariana. O presidente negou que sua prolongada ausência tenha causado disputas internas de poder entre seus colaboradores.

"Disseram que há divisão no governo, disputas (...); pois ratifico (o vice-presidente) Elias Jaua (...) e estendo o tempo de serviço, ilimitado, a todos", disse Chávez. "Todos (os ministros) estão ratificados por tempo prolongado"

A imprensa venezuelana afirmou que Chávez poderia mudar a cúpula militar e substituir Jaua, visto como representante do núcleo de esquerda do governo. O vice-presidente esteve à frente do governo durante o período em que Chávez permaneceu em tratamento em Cuba.

Com AFP, EFE e Agência Brasil

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