Estudos revelaram que um exame de urina pode ajudar os médicos a identificar uma molécula indicadora da agressividade de um câncer da próstata e distinguir os tumores de evolução lenta dos processos inflamatórios que precisam de um tratamento agressivo e imediato, divulgou nesta quarta-feira a revista científica Nature.

Arul Chinnaiyan, da Universidade de Michigan (Ann Arbor, EUA), e seus colegas compararam os resultados do estudo (42 mostras de tecidos, 110 de urina e 110 de sangue) realizado entre pacientes com câncer e pacientes em bom estado de saúde.

Eles encontraram em quantidade muito maior uma substância, a sarcosina, nos casos de formas agressivas de câncer de próstata, em particular nas urinas destes pacientes.

Em casos de câncer de próstata, a dificuldade é determinar se o tumor apresenta forte risco de desenvolvimento rápido, o que requer portanto tratamento imediato e agressivo, ou se o tumor é de evolução lenta, o que não justificaria tratamento similar.

Os pesquisadores mostraram que o fato de acrescentar simplesmente sarcosina a culturas de células de próstata transformava estas últimas em células cancerígenas "invasivas", ou seja capazes de se disseminar no organismo. Isto indica que esta molécula pode perfeitamente desempenhar um papel importante na doença.

Os níveis de sarcosina eram elevados em 79% dos resultados de câncer da próstata com metástase e em 42% dos de câncer em estágio inicial, segundo os pesquisadores. Em contrapartida, a sarcosina não foi detectada em nenhuma das mostras indenes de câncer.

Segundo o estudo, a sarcosina é um melhor indicador de câncer avançado que o teste habitual de dosagem sanguínea da enzima "PSA" (o antígeno específico da próstata).

Estes resultados devem no entanto ser confirmados antes da realização de um simples exame de urina.

A descoberta da sarcosina implicada nos processos ligados ao poder invasivo dos cânceres, pode além disso constituir um alvo de desenvolvimento terapêutico futuro.

BC/vm/lm

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