Canadá trabalha para organizar conferência sobre Haiti

Julio César Rivas. Toronto (Canadá), 21 jan (EFE).- O Canadá trabalha hoje contra o relógio na organização da conferência internacional que, na próxima semana, tentará estabelecer em Montreal as bases para a reconstrução do Haiti, devastado por um terremoto no último dia 12.

EFE |

A conferência de Montreal tentará fazer a preparação para uma futura cúpula de líderes, que não tem data confirmada mas que aconteceria na primavera europeia. Segundo o primeiro-ministro haitiano, Jean-Max Bellerive, o objetivo é adotar um plano similar ao Marshall, da Segunda Guerra Mundial, para reedificar o país.

Bellerive será um dos participantes da reunião, que deve ter a presença também da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, assim como dos chanceleres dos principais países latino-americanos e possivelmente da França, Bernard Kouchner.

O ministro de Assuntos Exteriores do Canadá, Lawrence Cannon, declarou que a reunião de Montreal dará a oportunidade de reavaliar a situação no Haiti e assegurar que a Minustah, a missão da ONU no país centro-americano, possa concentrar os esforços internacionais.

Desde que chegaram as primeiras notícias do terremoto do Haiti, o Canadá fez uma intensa atividade diplomática e mobilizou grandes recursos para ajudar o país caribenho.

O Canadá já conta no Haiti com cerca de mil soldados, entre eles elementos da unidade de força rápida de distribuição de ajuda humanitária do Exército, e com dois navios de guerra.

Outros mil soldados, como membros interinos de tarefas de segurança e estabilização, têm prevista sua chegada ao Haiti nos próximos dias. O Canadá também prometeu dinheiro para ajuda humanitária.

Parte das ações do Canadá após a tragédia do Haiti é fruto das intensas relações que existem entre os dois países.

Os dois são membros da Francofonia, o grupo formado por países que já estiveram sob a influência da França.

No Canadá vivem dezenas de milhares de pessoas de origem haitiana - só na cidade de Montreal, onde acontecerá a conferência, o número se estima em 130 mil.

A própria governadora-geral do Canadá, Michaelle Jean, que exerce a chefia de Estado em representação da rainha da Inglaterra, é uma imigrante haitiana nascida em Porto Príncipe.

Mas o Governo do primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, também vê a resposta à catástrofe haitiana como uma oportunidade de aumentar a presença do Canadá na América Latina e no Caribe.

Natalie Sarafian, porta-voz de Cannon, disse à Agência Efe que o Canadá está exercendo um papel de liderança na resposta à crise e lembrou que seu país se comprometeu a aprofundar suas relações na região e planeja ficar ali por um longo prazo.

Cannon, que viajará na sexta-feira a Washington para se reunir com Hillary e discutir, entre outros temas, a situação no Haiti, será o encarregado de presidir a conferência de Montreal, o que lhe permitirá determinar a agenda da futura cúpula de líderes.

Esta semana, o jornal mais influente do Canadá, "The Globe and Mail", assinalou que a melhor solução para a situação do Haiti é que a reconstrução e a reedificação do país fiquem nas mãos de um grupo de quatro nações: Estados Unidos, Canadá, França e Bahamas.

"Se deveria formar um pequeno e concentrado comitê das nações mais interessadas (...) para trabalhar com o que fica do Governo haitiano para proporcionar um Governo de emergência efetiva e dar nova força a este permanente estado fracassado", diz em seu editorial o diário.

O terremoto de 7 graus aconteceu às 19h53 (Brasília) do dia 12 e teve epicentro a 15 quilômetros da capital, Porto Príncipe. Em declarações à Agência Efe, Bellerive disse que o número de mortos superará 100 mil.

O Exército brasileiro informou que 18 militares do país que participavam da Minustah morreram em consequência do terremoto.

Entre os civis - além da médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, e de Luiz Carlos da Costa, o segundo civil mais importante na hierarquia da ONU no Haiti -, foi informado nesta quarta que outra mulher também morreu no tremor, aumentando para 21 o total de vítimas brasileiras. EFE jcr/rr

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG