OTTAWA - O Canadá disse, nesta quarta-feira, que não vai pressionar os EUA pela repatriação do jovem canadense preso em Guantánamo, apesar da divulgação de um vídeo em que ele aparecia chorando e chamando pela mãe. http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2008/07/16/o_detento_mais_jovem_de_guantanamo_merece_estar_preso_afirma_militar_1447697.htmlMilitar afirma que jovem de 16 anos merece estar preso

As imagens levaram políticos e articulistas a pedirem que o governo local interceda por Omar Khadr, 21 anos, acusado de matar um socorrista norte-americano no Afeganistão em julho de 2002, quando tinha 15 anos.

Em fevereiro de 2003, agentes canadenses passaram quatro dias interrogando o rapaz. Um vídeo da época mostra o interrogatório e também momentos em que Khadr murmura e chora, chamando pela mãe.

O primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, disse que Khadr enfrenta acusações graves e deve ser levado a julgamento.

'Nossa posição não mudou nem vai mudar. Fazer uma mudança de última hora porque a equipe jurídica dele está buscando uma estratégia agressiva na mídia não é do interesse do devido processo. Estamos fazendo o que é certo', disse o porta-voz de Harper, Kory Teneycke.

O vídeo foi divulgado pelos advogados de Khadr, após uma longa disputa judicial.

Críticos do tratamento dado ao jovem dizem que ele foi uma criança transformada em soldado, e que por isso precisa de reabilitação em vez de punição.

Os EUA mantêm cerca de 265 presos em Guantánamo, sob condições muito criticadas por entidades de direitos humanos.

Em entrevista a uma TV local, a mãe dele, Maha Elsamnah, disse que está sofrendo, mas resiste por saber que 'há centenas de outros que sofrem como Omar'. Ela admitiu que seu filho precisaria de um programa de reabilitação, pois 'alguém precisa convencê-lo de que ele ainda merece viver'.

Khadr diz ser vítimas de constantes ameaças sexuais na prisão de Guantánamo. No vídeo, ele aparece com macacão laranja de prisioneiro, sendo interrogado. Em certo momento, deixado sozinho, enfia a cabeça entre as mãos e puxa os cabelos em evidente desespero.

O jovem foi levado ao Afeganistão por seu pai, Ahmed Said Khadr, suposto financiador da Al Qaeda e amigo íntimo de Osama bin Laden. Khadr foi morto em combate contra tropas paquistanesas em 2003.

Vídeo

O vídeo tem 7,5 horas de um interrogatório de três dias. Khadr tinha 16 anos de idade no momento de sua captura em 2002 no Afeganistão por suspeitas de terrorismo.

Inicialmente, foram apresentados 10 minutos e os advogados de Khadr anunciaram que nesta terça-feira será divulgada uma versão completa do vídeo, seguindo ordens da corte.

Nas imagens, que parecem ter sido captadas em um ducto de ventilação, são feitas perguntas a Khadr sobre o que sabe a respeito da Al-Qaeda e sobre sua fé muçulmana. Às vezes chora e puxa os cabelos de desespero, informou o jornal Globe and Mail em seu site.


Também mostra seus ferimentos aos interrogadores. Um deles responde dizendo que está recebendo um bom tratamento médico e que deve cooperar.

O vídeo de dez minutos não revela se o detento sofreu agressões ou outros abusos físicos na prisão.

A divulgação do vídeo ocorreu depois que documentos do governo mostraram que Khadr foi privado de sono antes de ser interrogado para que admitisse seus crimes mais facilmente, informou a imprensa canadense.

Khadr era levado para uma cela diferente a cada três horas para que ficasse mais suscetível a falar em uma tática que as autoridades norte-americanas descreveram como "programa do viajante freqüente".

A defesa e juristas internacionais insistiram várias vezes para que Omar Khadr fosse tratado como uma criança-soldado.

Organizações de defesa dos direitos humanos, como a Anistia Internacional, pediram em vão para que o primeiro-ministro canadense exigisse dos Estados Unidos a extradição de Khadr, uma rejeição que, segundo a imprensa canadense, agora será mais difícil de ser justificada.

(*Com informações das agências AFP e Reuters)

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