Canadá realiza eleições para novo Governo sem favoritos

Toronto (Canadá), 13 out (EFE) - Os canadenses vão às urnas amanhã para escolher o novo Governo sem um claro favorito à vitória e em meio à grave crise financeira mundial e do principal parceiro comercial canadense, os Estados Unidos. As últimas pesquisas publicadas dizem que o Partido Conservador, do primeiro-ministro Stephen Harper, está à frente com 35% das intenções de voto, seguido nove pontos atrás pelo Partido Liberal, do líder da oposição, Stéphane Dion. Mas as pesquisas também destacam que muitos dos 24 milhões de eleitores convocados às urnas, quase 20%, ainda não decidiram em quem votarão na terça-feira, o que torna quase impossível ter uma clara idéia de qual será a composição do Parlamento do país. Hoje, Harper reconheceu as dificuldades dos conservadores para manter as expectativas com as quais iniciaram a campanha de obter na terça-feira uma maioria absoluta. Precisamos de todas as cadeiras. Precisamos de todos os votos que possamos obter, disse Harper na segunda-feira de manhã durante um comício em Prince Edward Island.

EFE |

Harper, assim como o liberal Dion, pretende percorrer hoje o país de ponta a ponta para tentar convencer os indecisos de que o Canadá precisa de um Governo majoritário conservador para poder combater a crise financeira e econômica que afeta o mundo.

"O principal trabalho do próximo primeiro-ministro do Canadá é proteger a economia do país, nossos lucros, economias e trabalhos em um momento de incerteza econômica mundial", explicou Harper.

Por causa do sistema eleitoral canadense, baseado em circunscrições, e não em um sistema proporcional, considera-se que um partido precisa de cerca de 40% dos votos para obter a maioria dos 308 assentos do Parlamento.

Nas últimas eleições, realizadas em janeiro de 2006 e que colocaram o Partido Conservador no poder, pela primeira vez em 13 anos, a legenda de Harper conquistou 124 cadeiras, após receber 36,3% dos votos emitidos.

Por sua parte, o Partido Liberal terminou com 103 cadeiras e 30,2% dos votos, e o defensor da soberania Bloco Quebequense finalizou com 51 cadeiras (10,5% dos votos em nível nacional, mas 41,5% em Québec). Além disso, os eleitores elegeram um deputado independente.

Nesta eleição, além dos quatro principais partidos, o crescimento do Partido Verde, que em algumas pesquisas possui até 10% das intenções de voto, adicionou complexidade na hora de determinar quem formará o próximo Governo.

O fracionamento do voto refletido nas pesquisas fez com que, pela primeira vez na história do país, se contemple a possibilidade de que o resultado da votação de 14 de outubro seja um Governo de coalizão entre liberais, social-democratas e verdes, se estes últimos chegarem a Ottawa.

Harper se referiu a esta possibilidade como um "desastre".

No domingo, o primeiro-ministro disse durante uma entrevista na televisão que "existe o risco de que (os partidos da oposição) possam se unir", e, sobre isso, destacou: "Acho que seria desastroso".

Hoje, o líder social-democrata Jack Layton, cujo partido tem aproximadamente 20% de apoio segundo as pesquisas, rejeitou a idéia de uma coalizão com os liberais e reafirmou sua intenção de se tornar o próximo primeiro-ministro do país.

Layton baseou sua rejeição em uma coalizão com os liberais e verdes porque Dion "teve 43 oportunidades durante o último Parlamento" de votar contra os conservadores, e não votou.

Por enquanto, o único partido que realmente deve cantar vitória na quarta-feira deve ser o Bloco Quebequense.

O partido, que representa o movimento independentista de Québec em Ottawa, começou a campanha atrás do Partido Conservador e a risco de se transformar na quarta maior legenda no Parlamento.

No entanto, uma série de erros de Harper colocou o Bloco Quebequense em primeiro lugar na província e, segundo as últimas pesquisas, os soberanistas superarão os 48 assentos que tinham no momento da dissolução do Parlamento. Enquanto isso, os conservadores perderão seis de seus 11 deputados em Québec. EFE jcr/db

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