Canadá quer proibir mamadeiras feitas de plástico com bispenol

O governo canadense anunciou nesta sexta-feira a intenção de proibir as mamadeiras de plástico duro fabricadas da substância bisfenol A, o que fará do Canadá o primeiro país no mundo a agir de maneira severa contra esse composto químico considerado potencialmente nocivo.

AFP |

Os representantes da indústria ainda poderão tentar convencer o governo a recuar em sua decisão, durante um período de consulta de 60 dias, que começa no sábado, disse à imprensa o ministro da Saúde, Tony Clement.

"É intenção do governo proibir a importação, a venda e a publicidade das mamadeiras de policarbonato", informou, acrescentando que o governo proibirá essas mamadeiras, a menos que os empresários consigam demonstrar, com a ajuda de novas provas, que as conclusões do governo estão equivocadas.

"O Canadá será o primeiro país no mundo a passar à ação para limitar a exposição ao bisfenol A", completou, explicando que se trata, basicamente, de uma medida de precaução.

Segundo o Ministério, estudos determinaram que a principal fonte de exposição dos recém-nascidos e lactentes se dá quando a mamadeira de policarbonato é exposta a uma temperatura elevada e quando o bisfenol é liberado de embalagens de plástico na comida e na bebida.

Em sua análise, os cientistas concluíram que a exposição dos recém-nascidos e lactentes ao bisfenol A é inferior aos níveis geradores de efeitos colaterais na saúde. A diferença entre essa exposição e o efeito na saúde não é, contudo, tão significativa, motivo pelo qual o governo pretende reduzi-la.

"Vamos trabalhar com a indústria para reduzir o nível de bisfenol A nos revestimentos de mamadeiras e para encontrar tecnologias de substituição o mais rápido possível", declarou Clement.

Antes mesmo do anúncio, várias grandes redes de distribuição canadenses já haviam retirado de suas prateleiras, nas últimas semanas, garrafas de plástico duro fabricadas com bisfenol, evocando riscos para a saúde.

O ministro Clement insistiu, porém, no fato de que essas garrafas, assim como vários outros materiais, ou objetos fabricados com bisfenol, não oferecem qualquer risco à saúde, reforçando a posição do setor industrial.

Um relatório preliminar do governo americano avalia que o bisfenol A pode provocar problemas hormonais e neuroniais.

As descobertas científicas resultantes de vários estudos de laboratórios em animais "confirmam que doses baixas de bisfenol, no momento do desenvolvimento do corpo, podem provocar mudanças no cérebro, na próstata, nas glândulas mamárias, assim como na puberdade nas meninas", aponta o documento do Departamento americano da Saúde, divulgado na terça-feira.

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