Canadá não quer interceder pela libertação de jovem prisioneiro de Guantánamo

Julio César Rivas Toronto (Canadá), 16 jul (EFE).- O Governo do Canadá se mantém hoje firme em sua decisão de deixar na prisão de Guantánamo Omar Khadr apesar das intensas pressões que está recebendo desde a divulgação nas últimas horas de vídeos dos interrogatórios do jovem canadense.

EFE |

O escritório do primeiro-ministro canadense, o conservador Stephen Harper, afirmou em várias oportunidades desde a última terça que Ottawa não tem a intenção de interceder ante as autoridades americanas para que transfiram o preso, que tinha 15 anos quando foi capturado em 2002 no Afeganistão.

Khadr é o único ocidental que permanece em Guantánamo.

Hoje, o principal jornal do país, o "The Globe and Mail", afirmou que este episódio junto com as dúvidas do processo legal ao qual Khadr foi submetido são razões mais que suficientes para que Harper comece a usar sua influência com o presidente americano, George W.

Bush, e consiga sua transferência para o Canadá.

"É mais que importante que o Governo canadense agora comece a negociar os termos sob os quais pode ser devolvido ao Canadá", afirmou hoje a publicação em um editorial.

Por outro lado, a publicação de maior tiragem do país, o "Toronto Star", também se uniu ao grupo que reivindica o retorno de Khadr.

"O Governo liberal da época fracassou em proteger Khadr em 2003.

Quanto pode esperar o primeiro-ministro Stephen Harper em defender sua desacreditada linha quando até mesmo os candidatos presidenciais americanos repudiaram Guantánamo", questiona o jornal em seu editorial de hoje.

"Todos os outros ocidentais em Guantánamo foram repatriados pela insistência de seus Governos. Por que não Khadr?", encerra a publicação.

O secretário-geral da Anistia Internacional no Canadá, Alex Neve, escreveu ontem um artigo na mesma publicação na qual acusou Stephen Harper de cumplicidade na situação enfrentada por Khadr.

"A primeira obrigação de um primeiro-ministro é proteger a segurança e a liberdade de seus cidadãos. Stephen Harper se mostrou disposto a se desculpar pelas falhas passadas de outros Governos.

Entretanto, não admite nenhum erro próprio", declarou Neve.

Após o aparecimento dos primeiros trechos do vídeo de Khadr, o escritório de Harper se esforçou em dizer que a atitude do Governo conservador sobre o caso é a mesma que mantiveram no passado os gabinetes do Partido Liberal, no Governo quando Khadr foi capturado.

"Poderíamos acrescentar que a posição do Governo do Canadá é consistente com a de Governos anteriores. Este é um processo judicial e não político", afirmou o diretor de comunicações de Harper, Kory Teneycke à emissora pública canadense "CBC".

Por outro lado o Partido Liberal, que junto com os outros grupos da oposição reivindicaram em várias oportunidades o retorno de Khadr, afirmou que com a informação agora disponível o Governo canadense deveria tirar de Guantánamo o jovem que agora tem 21 anos de idade.

Os advogados e familiares de Khadr afirmam que a única possibilidade real que resta para conseguir sua libertação de Guantánamo é conseguir apoio suficiente da opinião pública canadense para forçar Harper e seu Governo a retificarem sua postura.

Após a divulgação dos 10 primeiros minutos do vídeo, no qual Khadr é interrogado por agentes do serviço secreto canadense (CSIS), os advogados do prisioneiro começaram a divulgar no final da terça novos trechos.

No total, os advogados de Khadr têm à sua disposição - graças a uma ordem judicial - mais de 7 horas de vídeo dos interrogatórios e outros documentos relacionados às ações do Governo canadense.

Dennis Edney, um dos advogados de Khadr, declarou que "é o momento de esta paródia terminar e de Omar Khadr voltar para casa no Canadá para encarar as leis canadenses".

O problema para Edney é que até agora o sobrenome Khadr não era popular no Canadá, o que permitiu que os sucessivos Governos canadenses ignorassem o jovem detido.

Seu pai, Ahmed Said Khadr, um cidadão canadense de origem egípcia, morreu em 2003 no Paquistão durante um confronto com as forças de segurança do país. Naquela oportunidade ele era acusado de ser um dos membros fundadores da Al Qaeda.

O filho mais velho de Ahmed Said Khadr, Abdullah Khadr, está atualmente preso nos Estados Unidos ao ser acusado de pertencer à Al Qaeda e de conspirar para matar soldados americanos no Afeganistão.

O segundo filho dele, Abdul Rahman Khadr, foi detido em 2001 no Afeganistão, levado para Guantánamo e libertado em 2003 no Afeganistão onde pediu ajuda às autoridades canadenses para retornar ao país. EFE jcr/fal

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