Camponeses ameaçam invadir terras de brasileiros no Paraguai

ASSUNÇÃO (Reuters) - Camponeses paraguaios que exigem terras para trabalhar na região central do país disseram na sexta-feira que vão iniciar ocupações em propriedades de brasileiros em represália pela detenção de um dirigente e de cinco companheiros. A polícia dispersou cerca de 300 manifestantes que interditavam a principal estrada do município de Capiibary, 250 quilômetros a nordeste de Assunção. A imprensa local disse que vários camponeses ficaram levemente feridos por balas de borracha.

Reuters |

Durante a operação foi preso Florencio Martínez, dirigente da Organização de Luta pela Terra (OLT), contra quem havia uma ordem de captura por liderar a ocupação de uma fazenda da região.

O incidente elevou a tensão no lugar, onde centenas de camponeses exigem desde quinta-feira a retirada dos policiais que protegem fazendas sob ameaça de ocupação. Os manifestantes querem também o fim do uso de agrotóxicos nas plantações de soja, que estaria provocando problemas ambientais e de saúde na população.

"Responsabilizamos o ministro do Interior e os brasileiros por essa repressão. Aqui pode acontecer qualquer coisa se não liberarem nossos companheiros e retirarem os capacetes azuis ", disse uma camponesa ao canal Telefuturo.

O governo enviou reforços policiais ao Departamento de San Pedro por causa dos protestos dos agricultores, que exigem a devolução de terrenos públicos entregues, segundo eles, de forma irregular a fazendeiros brasileiros.

A OLT ameaça incendiar um silo de propriedade do brasileiro naturalizado paraguaio Tranqüilo Fávero, maior produtor de soja do país, com cerca de 35 mil hectares.

Na tarde de quinta-feira, cerca de 80 camponeses destruíram parte da cerca da propriedade, mas se retiraram com a chegada da tropa de choque.

"Não sei por que me atacam, não cultivo soja no lugar, só tenho silos, talvez elegeram para provocar um impacto . Acho que não são camponeses, e sim agitadores que querem desestabilizar o país", disse Fávero a uma rádio.

O governo centro-esquerdista do presidente Fernando Lugo reafirmou seu compromisso com a reforma agrária, mas prometeu respeitar a propriedade privada e os direitos dos brasileiros legalmente radicados no Paraguai.

"Peço que se esqueça se tem amigos dentro do grupo camponês, peço que faça justiça, doa a quem doer", acrescentou Fávero, referindo-se à estreita ligação que Lugo mantinha com os camponeses na época em que foi bispo de San Pedro.

Entidades ruralistas do Paraguai, quarto maior produtor mundial de soja, alertaram que o plantio da safra 2008-9 está em risco por causa do conflito fundiário, que pode reduzir a superfície cultivada em 2,6 milhões de hectares e a produção em 6,8 milhões de toneladas.

(Reportagem de Mariel Cristaldo)

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