O campo de refugiados de Jabaliya, no norte da Faixa de Gaza, onde vivem três brasileiros com cônjuges palestinos, que já vinha sendo bombardeado na semana passada, é uma das áreas incluídas na ofensiva por terra de tropas israelenses contra o movimento Hamas, iniciada no sábado. A ofensiva por terra preocupa a representação brasileira do Ministério das Relações Exteriores em Ramallah, na Cisjordânia, que procura manter contato com os brasileiros - dois homens e uma mulher - na Faixa de Gaza.

As condições para a comunicação são limitadas, pois os brasileiros em Jabaliya dão notícia por celular e estão tendo dificuldade de recarregar as baterias, disse Rosimar Suzano, subchefe do escritório, que não havia conseguido contactar os brasileros na manhã desta segunda-feira.

Segundo ela, os brasileiros, contactados na semana passada, disseram que não querem ir para o Brasil. Suzano acredita que isso pode se dever ao fato de que apenas pessoas com o passaporte estrangeiro são autorizadas a deixar a área - o que significa que, no caso, os brasileiros teriam que deixar a família para trás.

Jabaliya é tido como um reduto do Hamas. As forças que entram no acampamento incluem soldados em veículos blindados e militares especializados em engenharia.

O principal objetivo dos soldados em Jabaliya é destruir lançadores de foguete Kassan, bunkers, armazéns e túneis usados por militantes, disse à BBC Brasil um porta-voz das Forças de Defesa Israelenses, capitão Ishai David.

"Os túneis vem sendo usados para armazenar armas, ocultar terroristas e para realizar possíveis ataques dentro de Israel", disse David, que cita a comunidade de Netiv Ha'asara, a poucas centenas de metros da fronteira da Faixa de Gaza com Israel, como um possível alvo.

Segundo o porta-voz, se os túneis no sul da Faixa de Gaza, na fronteira com o Egito, são usados para o contrabando de armas, os do norte são usados para atentados.

Os soldados também devem buscar supostos militantes em casas, escolas, mesquitas e outros locais onde se escondem, de acordo com inteligência obtida anteriormente, afirmou David.

O representante das forças israelenses disse que os militares procuram não envolver civis palestinos desvinculados do Hamas na operação. "Eles são livres para viver como quiserem" desde que não ajudem "terroristas", afirmou.

O porta-voz admitiu, contudo, que em ocasiões os soldados israelenses enfrentam um "desafio" ao ter que "distinguir civis de terroristas".

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