Campo argentino ameaça fazer greve se projeto fiscal for aprovado

Buenos Aires - Os produtores rurais argentinos alertaram hoje para que existem muitas chances de retomarem a greve comercial, caso a Câmara dos Deputados da Argentina aprove o projeto sobre os impostos às exportações de grãos, impulsionado pelo governo.

EFE |

Enquanto isso, os deputados governistas buscavam hoje iniciar o debate no plenário do Parlamento, depois que as comissões legislativas de Agricultura e Orçamento aprovaram na noite de quinta-feira uma sentença que libera o esquema de retenções móveis à exportação de grãos estabelecido pelo governo.

A aprovação da proposta originou um duro conflito com o setor agrário.

À espera do debate, o acesso à sede do Congresso se encontrava praticamente bloqueado esta manhã por uma operação de segurança na zona, que inclui o fechamento de algumas ruas no centro.

"Se a resolução (que estabelece as retenções móveis) for ratificada, como quer o Executivo, há grandes chances de a greve voltar", alertou hoje o vice-presidente da Sociedade Rural Argentina (SRA), Hugo Biolcati, em declarações às emissoras de rádio e televisão.

Boa parte dos deputados alinhados à presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, apostam em obter a maioria para sancionar o projeto aprovado nesta quinta-feira.

O acordo ratifica o esquema tributário estabelecido pelo Executivo há quase quatro meses, mas amplia as compensações já impostas pelo governo para pequenos e médios produtores.

Esta e outra iniciativa da oposição que suspende a aplicação das retenções móveis só serão tratadas se o projeto governista não contar com os votos necessários para sua aprovação no plenário da Câmara.

Mesmo assim, fontes parlamentares asseguram que o oficialismo tem maioria "apertada" para aprovar sua iniciativa.

"A ratificação colocaria as coisas na mesma situação que em 11 de março (quando foi estabelecido o novo esquema tributário). Vai haver descontentamento, e voltaremos à inconformidade e a expressá-la como nos parecer mais conveniente, tentando tornar mais tolerável para a sociedade", sustentou Biolcati.

Já o dirigente da Federação Agrária Argentina (FAA), Alfredo de Angeli, afirmou que recebeu pedidos para participar de novos "panelaços" contra a política oficial, assim como já aconteceu dias atrás em vários bairros da capital e do interior do país.

Mario Llambías, presidente das Confederações Rurais Argentinas (CRA), indicou que centenas de produtores de todo o país voltaram a se mobilizar, e insistiu no pedido das patronais agropecuárias, apoiada pela maior parte da oposição, de suspender por 150 dias o esquema de retenções que originou o protesto.

O conflito começou em março, depois que o Governo aumentou os impostos às exportações de milho, trigo, soja e girassol, o que gerou quatro greves, bloqueios de estradas, mobilizações e desabastecimento de alimentos e insumos para a indústria.

Também provocou prejuízos milionários ao país e representou um grande desgaste para a chefe de Estado, cujos índices de popularidade despencaram nos últimos meses.

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