Campanhas dos EUA dependem cada vez mais de comitês de arrecadação

Presidenciáveis gastam muito além do previsto e utilizam ao máximo recursos de doadores durante a fase das primárias

The New York Times |

Semanas de intensa campanha nos Estados durante as primárias deixaram os principais candidatos presidenciais republicanos cada vez mais dependentes dos milhões de dólares gastos em seu nome pelos super PACs (Comitês de Ação Política, na sigla em inglês), de acordo com relatórios da Comissão Eleitoral Federal divulgados na segunda-feira.

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A campanha de Mitt Romney gastou cerca de US$ 19 milhões em janeiro, quase três vezes a quantia de US$ 6,5 milhões que ele conseguiu arrecadar e, ao fim, venceu nos Estados de Nova Hampshire e Flórida, fechando o mês com menos de US$ 8 milhões em dinheiro. Newt Gingrich arrecadou quase US$ 5,6 milhões e gastou cerca de US$ 6 milhões. Rick Santorum, que teve uma série de doações de base depois de ter sido declarado vencedor no Estado de Iowa, arrecadou US$ 4,5 milhões, assim como o deputado Ron Paul, do Texas. Dessa forma, as quantias arrecadadas ainda fazem com que Romney esteja na liderança, mas não sozinho em termos de angariação de fundos.

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Partidários de Romney ouvem discurso em Cincinnati, Ohio, em 20 de fevereiro. A campanha do republicano gastou três vezes o que conseguiu arrecadar em janeiro
O super PAC que apoia Romney, conhecido como Restore Our Future (Reestabeleça o Nosso Futuro, em tradução livre), arrecadou US$ 6,6 milhões em janeiro e gastou cerca de US$ 14 milhões, sendo que grande parte desse valor foi usado em anúncios contra Gingrich nos Estados de Iowa e Flórida. Um super PAC que apoia Gingrich arrecadou muito mais, quase US$ 11 milhões, e gastou a maior parte desse valor em anúncios atacando Romney na Carolina do Sul, onde Gingrich venceu, e na Flórida, onde a vitória foi de Romney.

Os relatórios de gastos revelaram a amplitude e o poder dos Super PACs na medida em que a campanha atinge um período crítico e talvez até mesmo decisivo, com grupos de fora prontos para pegar uma parte crescente dos gastos políticos durante a cara batalha pelas primárias que se aproximam.

Gastos

Impulsionados pelos gastos extraordinariamente altos de Romney, as demais campanhas gastaram cerca de US$ 5 milhões a mais em janeiro do que os Super PACs que as apóiam. Mas no geral, os Super PACs que apoiam os quatro principais candidatos republicanos arrecadaram US$ 22,1 milhões em janeiro, pouco mais do que os próprios candidatos, e terminaram o mês com US$ 19,4 milhões em dinheiro na mão, cerca de US$ 5 milhões a mais do que a quantia dos candidatos.

A maior parte desse dinheiro veio de doações feitas por uma dúzia de indivíduos ou corporações – o executivo bilionário dono de casinos Sheldon Adelson, o investidor de fundo mútuo Foster S. Friess e o cofundador do PayPal Peter Thiel, entre outros - que têm explorado as recentes decisões judiciais e mudanças no financiamento das campanhas eleitorais de uma maneira que poderá exercer uma influência sem precedentes sobre a escolha do candidato presidencial de seu partido.

O Restore Our Future, super PAC que apoia Romney, começou o mês de fevereiro com US$ 16,3 milhões, uma quantia que será destinada a uma série de anúncios que devem atacar o candidato Santorum, cujas vitórias no Colorado, Minnesota e Missouri neste mês fizeram dele o alvo principal para ataques.

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Romney poderá se tornar ainda mais dependente do dinheiro de seu Super PAC do que no mês anterior, embora tenha arrecadado muito mais dinheiro do que os outros candidatos republicanos, ele também investiu pesado sem ter uma clara liderança na disputa.

Além disso, Romney está "indo até o limite” dos doadores de sua campanha - aceitando a contribuição máxima de US$ 2,5 mil permitida pela lei federal para as primárias - mais rápido do que qualquer dos outros principais candidatos de qualquer partido durante as duas últimas eleições.

Arrecadação

Até o final de dezembro, Romney havia arrecadado US$ 2,5 mil de cada um de seus 14 mil doadores, o que chega a representar 44% de todos os seus colaboradores. Cerca de 5% dos doadores de Paul, 14% dos doadores Gingrich, e 30% dos doadores de Santorum já haviam estourado seu limite, o que significa que a grande maioria dos seus colaboradores ainda pode doar mais dinheiro.

O super PAC fundado por dois ex-assessores do presidente Barack Obama , Priorities USA Actions (Ações e Prioridades dos EUA, em tradução livre), arrecadou apenas US$ 58,8 mil em janeiro, ajudando a estimular uma mudança dramática por parte de Obama, que há muito se posiciona contra a influência de grupos externos. No dia 6 de fevereiro, poucos dias após o término do período de apresentação dos fundos de janeiro, os assessores de Obama disseram a seus maiores doadores que os oficiais da Casa Branca assim como sua campanha iriam aparecer em eventos do Priorities USA Actions em uma tentativa de aumentar a sua captação de recursos.

Embora o Restore Our Future tenha arrecadado pequenas doações de até US$ 5, cerca de US$ 5 milhões arrecadados pelo Super PAC que apoia Romney vieram de apenas 25 pessoas físicas e jurídicas, cada uma doando entre US$ 100 mil e US$ 500 mil. Três indivíduos deram meio milhão de dólares cada: Joseph W. Craft, um executivo do setor de minérios de Oklahoma; Bruce Kovner, um bilionário fundador de fundos de investimentos de Nova York; e David Lisonbee, o fundador de uma empresa de Utah de suplementos vitamínicos.

O grupo também recebeu doações de alguns doadores antigos: o administrador do setor industrial do Texas Harold C. Simmons, membros das famílias Marriott e Walton, fundadores do hotel Marriott e da loja de varejo Wal-Mart, e Julian H. Robertson Jr., um gerente de fundos de investimento aposentado. Simmons também doou US$ 5 milhões em janeiro para o American Crossroads (Encruzilhadas da América, em tradução livre), um super PAC republicano cofundado por Karl Rove, em um único cheque que constituiu praticamente toda a quantia arrecadada pelo grupo naquele mês.

Winning Our Future (Conquistando o Nosso Futuro, em tradução livre), o super PAC que apoia Gingrich, arrecadou quase todo o seu dinheiro com apenas três pessoas: Adelson; sua esposa, Miriam Adelson, e Simmons. (Como doou para ambos os grupos, o dinheiro de Simmons pode, de certa maneira, ter sido usado contra si mesmo.) Disseram que Adelson ainda considera se irá injetar ainda mais dinheiro no grupo.

O Restore Our Future também chegou a receber dinheiro de várias empresas, algumas que não estão facilmente ligadas a um executivo ou até mesmo um negócio específico. A Select Management Resources, uma sociedade anônima de responsabilidade limitada baseada no Estado da Geórgia, doou US$ 100 mil, a empresa parece ter se registrado para fazer lobby sobre questões relacionadas a cartões bancários e de crédito em Nebraska.

O super PAC que apoia Santorum, o Red White and Blue Fund, arrecadou cerca de US$ 2 milhões em janeiro, grande parte vinda de Foster S. Friess, um investidor rico que é um dos principais financiadores de Santorum, e William J. Dore, um empresário aposentado do Texas, que doou US$ 1 milhão para o grupo.Embora o Red White and Blue Fund tenha fechado o mês de janeiro com apenas cerca de US$ 600 mil na mão, Friess indicou que deverá contribuir com mais dinheiro para o grupo caso Santorum venha a solicitar sua ajuda.

*Por Nicholas Confessore

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