Campanhas de Obama e McCain entram em choque sobre embargo a Cuba

Macarena Vidal. Washington, 12 set (EFE) - A manutenção do embargo a Cuba opôs hoje as campanhas do candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, John McCain, favorável à manutenção dessa medida, e do democrata, Barack Obama, que defende sua flexibilização. Em um debate hoje patrocinado pelo centro de estudos Diálogo Interamericano, o assessor para a América Latina de McCain, Adolfo Franco, afirmou que relaxar o embargo equivaleria a recompensar o Governo cubano, o que considerou um erro colossal. Por sua vez, o assessor de Obama para a região, Dan Restrepo, afirmou que o que é uma recompensa para o regime é manter a mesma política dos últimos 50 anos. Não podemos seguir fazendo mais do mesmo e esperar um resultado diferente, considerou. Os dois representantes repassaram as propostas de seus candidatos para a Cuba que encontrarão em janeiro, sem Fidel Castro no comando e com um novo dirigente, Raúl Castro, que se mostrou mais aberto a um diálogo com os Estados Unidos, mas cujas reformas foram, por enquanto, estéticas. Segundo Franco, se McCain vencer as eleições de novembro, manterá o embargo atual com algumas pequenas mudanças. Entre elas, mencionou o aumento da ajuda aos dissidentes e ao crescente movimento cívico na ilha e um maior esforço para permitir um melhor acesso à informação. O assessor republicano se mostrou reticente a alterar o atual sistema para que os cubanos americanos enviem ajuda a suas famílias, com o...

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Por sua vez, Restrepo afirmou que um Governo democrata em Washington permitiria aos parentes americanos dos cubanos enviar ajuda aos familiares e levantaria as restrições atuais ao montante de dinheiro que pode ser enviado e ao número de visitas à ilha.

Obama também quer aumentar a ajuda aos dissidentes em Cuba, "mas devemos garantir que essa assistência chegue a eles, e não fique em nossa margem", destacou.

Neste sentido, o assessor democrata ressaltou que Obama reforçaria os fundos para "Radio Martí", a emissora que transmite à ilha desde Flórida, mas deixaria de lado a "TV Martí", a qual considerou "um desperdício de dinheiro".

Além disso, enviará uma "mensagem direta e clara" ao regime castrista de que, se quer verdadeiramente abrir um diálogo, deve "pôr em liberdade os presos políticos".

"Então nós iniciaríamos o processo para começar uma normalização das relações", segundo Restrepo.

Obama se declarou disposto a uma reunião com Raúl Castro no lugar e momento que o candidato democrata escolher e após uma série de preparativos exaustivos.

Isso não representa uma "recompensa" a um regime ditatorial, afirmou o assessor democrata, que insistiu em que não devem "ter medo de usar uma das armas mais poderosas, o poder da Presidência dos EUA".

Restrepo defendeu também o levantamento, durante 90 dias, das restrições para a ajuda aos parentes em Cuba depois da passagem do furacão "Ike" esta semana, que devastou a ilha.

"É uma medida pragmática, um modo muito mais drástico de ajudar as pessoas em um momento de sofrimento extremo", sustentou.

A campanha presidencial americana, que gerou um enorme interesse no mundo, incluindo na própria Cuba, está tecnicamente empatada, segundo as pesquisas, entre McCain e Obama. EFE mv/db

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