Campanha eleitoral em Honduras começa na segunda-feira em clima de pressão

TEGUCIGALPA - Honduras inicia a campanha para as eleições do dia 29 de novembro, na próxima segunda-feira, dois meses depois da deposição de Manuel Zelaya, que, apoiado pela comunidade internacional, aumenta a pressão para que seus resultados não sejam reconhecidos.

EFE |

Os seguidores de Zelaya, deposto pelos militares no dia 28 de junho, voltaram a pedir, nesta sexta-feira, aos hondurenhos que rejeitem o processo eleitoral, porque a comunidade internacional não o aprovará, disse a jornalistas o dirigente popular Juan Barahona.

Além disso, segundo reiteraram vários dirigentes do movimento de resistência popular, que, desde o dia 29 de junho, protestam nas ruas exigindo o retorno de Zelaya, o processo eleitoral é considerado viciado, porque será realizado em meio ao golpe de Estado.

O Tribunal Supremo Eleitoral (TSE), que convocou o pleito no dia 28 de maio, pediu nexta sexta aos partidos e aos candidatos, que participarão da disputa de novembro, que evitem o confronto durante a campanha, que começará na segunda-feira.

O juiz do TSE, David Matamoros, disse a jornalistas que as mensagens divulgadas durante a campanha devem "evitar ao máximo o confronto entre os candidatos e os partidos".

Acrescentou que as mensagens devem ser "diretamente dirigidas a tentar orientar a família hondurenha à unidade" e para que os eleitores busquem "quem pode ter a melhor proposta eleitoral".

O atual presidente de Honduras, Roberto Micheletti, que, por designação do Parlamento, substituiu Zelaya, disse nesta sexta que as Forças Armadas garantirão a segurança no pleito de novembro.

Micheletti disse que, recentemente, analisou com os chefes militares os planos de segurança do país e que, no que diz respeito às eleições gerais, "vai haver segurança e proteção a todos os cidadãos que votarão no dia 29 de novembro".

Todos os hondurenhos devem votar em novembro para escolher um novo presidente e demonstrar "ao mundo inteiro que estamos atuando com democracia e com responsabilidade", afirmou Micheletti.

Nas eleições de novembro, cinco partidos políticos se candidatarão: o Liberal, no poder; o Nacional, primeira força de oposição; a Democracia Cristã, o Inovação e Unidade-Social Democrata e o Unificação Democrática, de esquerda.

Além destes, o partido independente do dirigente popular Carlos Reyes também participará das eleições.

O movimento popular que apoia Zelaya iniciou, na quinta-feira, uma campanha contra as eleições, para que a comunidade internacional não reconheça os resultados, se o presidente deposto não for restituído no poder.

Também nesta sexta-feira, Micheletti reiterou sua disposição de renunciar à presidência se Zelaya desistir de retornar ao país para se reinstalar no poder, o que significa que uma terceira pessoa deverá assumir o cargo, de acordo com a Constituição hondurenha.

"Se não seguir nesta disputa em que entrou, nós podemos fazer o mesmo pela paz e pela tranquilidade do país", disse.

A proposta, que Micheletti apresentou pela primeira vez dias após ter assumido a presidência, foi exibida à Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington, nesta sexta, pela comissão que representa seu governo no diálogo mediado pelo presidente da Costa Rica, Óscar Arias.

A comissão de chanceleres da OEA que visitou Honduras esta semana também escutou a proposta vinda do próprio Micheletti, na terça-feira.

Micheletti mencionou a iniciativa novamente, na quinta-feira à noite, à bancada do Partido Liberal no Parlamento, em reunião na Casa Presidencial, informaram deputados que participaram do encontro.

Nesta sexta-feira, os seguidores de Zelaya reiteraram que sua luta pela restituição do líder de Estado deposto continua, além da busca pela instalação de uma Assembleia Nacional Constituinte.

Leia mais sobre Honduras

    Leia tudo sobre: eleiçõesgolpehonduras

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG