Campanha eleitoral argentina chega ao fim sem projetos

Mar Marín. Buenos Aires, 25 jun (EFE).- As desqualificações e a ausência de propostas marcaram o fim da campanha para as eleições legislativas do próximo domingo, na Argentina, que terminou hoje com atos nas principais cidades do país.

EFE |

O maior dele foi a conclusão da campanha do Governo, liderado pelo ex-presidente Néstor Kirchner, que contou com a presença de sua esposa e sucessora no cargo, Cristina Fernández de Kirchner e pelos números dois e três de sua lista, o governador da província de Buenos Aires, Daniel Scioli, e a atriz Nacha Guevara.

Kirchner reuniu milhares de pessoas no município de La Matanza, o de maior peso do cinturão industrial da Grande Buenos Aires, cujo voto é decisivo para definir o mapa político que se configurará depois das eleições do dia 28 de junho.

"Tive a dignidade e a moral para ser intendente, governador e para estar na Casa Rosada e hoje eu tenho que defender este projeto no Congresso com muita vontade, para colocar-me em defesa do projeto nacional e popular", disse.

Seu rival direto, o peronista dissidente Francisco de Narváez, da Coalizão União-Pró, também concluiu, na província de Buenos Aires, uma intensa campanha na qual investiu somas astronômicas e que o passou de um empresário conhecido por suas aparições nas revistas de sociedade a um possível desafiante de Kirchner.

Segundo as pesquisas eleitorais, De Narváez põe em risco a maioria governista no Parlamento.

"Há um excesso da velha política, que está se despedindo neste momento, e o que vem agora é uma política caminhando junto com o povo, levando nossa mensagem", afirmou De Narváez, que optou por uma extensa caminhada para finalizar a campanha, para demonstrar que é parte dessa "nova política".

Os fechamentos da Coalizão Cívica, liderada pela candidata Elisa Carrió, e do esquerdista Projeto Sul, com o cineasta Fernando Pino Solanas foram muito mais modestos, que, de acordo com as pesquisas, pode ser uma surpresa e colocar-se acima do aspirante governista, Carlos Heller.

A partir da meia-noite não haverá mais divulgação de pesquisas, nem declarações dos candidatos, depois de uma intensa campanha dominada por ataques e desqualificações entre os candidatos a ocupar um posto no Parlamento e no Senado.

Kirchner e De Narváez fizeram as críticas mais contundentes, com acusações mútuas de incapacidade e falta de sentido político.

O ex-presidente, apoiado pelo Governo, boa parte do aparelho peronista e com o respaldo da poderosa Confederação Geral do Trabalho, se centrou nas conquistas de sua Administração, evocando a figura do general Juan Domingo Perón e envolvido na causa nacionalista.

A frase " Qué te pasa, ¿estás nervioso??" ("O que está acontecendo contigo? Você está nervoso?"), que Kirchner passou a utilizar contra um influente meio de comunicação argentino, se transformou no slogan de sua campanha e foi repetida em seus comícios e atos eleitorais.

De Narváez, por sua parte, apostou na ideia de mudança e se esforçou a conquistar apoio com a promessa de uma transformação no país.

Seu jargão, "tenho um plano", ficou mais na frase, que em propostas, porque o candidato não chegou a detalhar esse "plano" em seus atos.

Embora atrasados no uso de internet, tanto o Governo, quanto a oposição desenvolveram uma agressiva campanha que incluiu o marketing telefônico, com um autêntico bombardeio de chamadas com mensagens gravadas dos candidatos para conseguir votos.

Essa estratégia tem um efeito contrário, já que a maior parte das pessoas não gosta de receber ligações fora de hora em suas casas.

EFE mar/pd

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