Campanha de referendo termina com pedidos de voto na Venezuela

Esther Borrell. Caracas, 13 fev (EFE).- Governo e oposição fecharam hoje com pedidos de voto suas respectivas campanhas a favor e contra a reeleição ilimitada, que será decidida na Venezuela num referendo que acontece no domingo.

EFE |

Faltando dois dias para a consulta, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que impulsionou a emenda constitucional, percorreu com seus partidários as ruas de La Guaira, a cerca de 30 quilômetros de Caracas.

Chávez, que suspendeu uma grande concentração prevista para hoje em frente ao palácio presidencial de Miraflores, encorajou seus seguidores a votar em favor do projeto, que eliminaria a limitação de dois mandatos para reeleições.

O chefe do Estado venezuelano, de 54 anos e há 10 no poder, quer voltar a se candidatar em 2012, quando termina seu atual mandato, para, segundo repetiu em diversas ocasiões, impulsionar a chamada "revolução bolivariana" no país sul-americano.

O movimento estudantil opositor anunciou hoje que fecharia sua campanha contra a emenda com atos nas ruas, como a distribuição de panfletos pelo "Não", depois de abrir mão de manifestações em massa por não ter obtido autorização para isso.

Em entrevista coletiva, os dirigentes estudantis de oposição pediram que os venezuelanos votem contra a emenda no domingo.

Cerca de 17 milhões de eleitores foram convocados às urnas para um referendo que pode ter grande influência no futuro político do país e que promete ser definido com uma pequena margem de votos.

"Há dois argumentos: a proposta de reforma já foi rejeitada em dezembro de 2007 e, seja qual for o resultado, não vai resolver os problemas práticos do país", disse o líder estudantil Daniel Smolansky, que comentou sobre a consulta popular realizada há pouco mais de um ano, na qual a reforma proposta por Chávez foi derrotada.

Os líderes dos partidos opositores, que nas últimas semanas afirmaram ter se juntado em um "bloco do Não", acusam Chávez de promover uma manobra para "se perpetuar no poder".

Na manhã de hoje, os presidentes dos poderes Judicial, Eleitoral e Cidadão da Venezuela receberam 98 representantes de organizações internacionais que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) convidou para agir como observadores do referendo.

Esses observadores internacionais estarão na abertura das mesas eleitorais em diversas partes do país, e ao término do processo presenciarão a auditoria de fechamento do referendo, antes do início da apuração dos resultados.

Em um discurso transmitido pela TV local, Tibisay Lucena, presidente do CNE, destacou que o Estado garante "mais uma vez que o resultado eleitoral será cristalino e expressará a vontade da população", e disse que hoje estarão instaladas todas as mesas eleitorais no país.

A campanha eleitoral será oficialmente fechada à meia-noite (local) de hoje para sábado, para dar passagem à jornada de reflexão antes da consulta de domingo. EFE eb/mh

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